Envolvida pelo sonho de se casar em um espaço bonito, tradicional, sofisticado e ainda acompanhada de um bufê impecável fornecido pelo próprio espaço, regado a castanhas caramelizadas e camarão, a cabeleireira Patrícia Maria Valente, de 55 anos, não pensou duas vezes.
Para garantir a data que queria para realizar o casamento dos sonhos, Patrícia pagou à vista, em 2019, para a Chácara Chiari, no bairro Liberdade, na região da Pampulha, a quantia de R$37 mil. Porém, o espaço e o bufê nunca ficaram prontos. O evento deveria ter sido realizado em 2020, mas foi remarcado pelo dono do espaço três vezes, e até o momento não aconteceu.
Para não pagar pelas quebras de contrato, a noiva, que mora na região da Pampulha, teve que arcar com diversos gastos como cerimonial, decoração e fotógrafo. O prejuízo ultrapassa os R$ 80 mil. Para se ter uma ideia, as bebidas da celebração estão encaixotadas e amontoadas há mais de um ano na sala da noiva.
Surpresa
Por causa das restrições impostas pela Covid-19, Patrícia disse ter entendido as remarcações. No entanto, ela ficou surpresa, e ao mesmo tempo, preocupada, quando viu, em agosto deste ano, um comunicado nas redes sociais que o espaço não realizaria mais eventos devido à morte do proprietário.
“Seria a realização do meu sonho me casar no Chiari. Por causa da pandemia, meu casamento foi remarcado para o dia 8 de maio deste ano, depois foi remarcado para dezembro, sem data confirmada. Até aí entendi. Porém, em agosto, vi no Instagram da chácara um post que dizia que, por causa da morte do dono do local, a família não iria mais realizar eventos. Foi aí que percebi que teria problemas, então entrei em contato com o filho do dono, que parou de me atender e retornar minhas mensagens. Agora não sei quando vou me casar, já tinha investido tudo que podia, preciso do meu dinheiro de volta”, detalha Patrícia.
Mais sonhos destruídos
Patrícia não foi a única que teve o sonho arrasado. Quando a cabeleireira foi pesquisar na internet, ela percebeu que dezenas de outras noivas passavam pelo mesmo drama. Somente em um grupo no WhatsApp, existem mais de 30 noivas que se dizem lesadas.
Foi nesse grupo que Patrícia conheceu a empresária Bárbara Martins Ribeiro, de 28 anos, moradora do bairro Providência, na região Norte de Belo Horizonte.
Ela espera há oito anos poder formalizar o casamento em um espaço luxuoso com comida de alta qualidade, e por isso, escolheu a Chácara Chiari. Ela investiu R$ 24 mil pelo aluguel do espaço mais o bufê fornecido pelo local. Quando a noiva viu o comunicado nas redes sociais que a chácara não sediaria mais eventos, ela se preocupou e tentou recuperar o dinheiro investido, mas também sem sucesso.
“A minha sorte é que marquei meu casamento para 2022, então não passei pelas remarcações que muitas noivas passaram. Estava pagando parcelado pelo aluguel e bufê no Chiari, quando percebi que não iria receber parei de pagar. Investi R$ 24 mil que não sei se vou receber. Paguei pelo aluguel de outro espaço, com isso meu casamento vai passar muito do R$100 mil”, contabilizou a empresária.
Próximos passos
Para receberem os recursos investidos de volta Patrícia e Bárbara estão mobilizando o grupo para entrar na Justiça contra a prestadora de serviços.
Comunicado da Chácara Chiari nas redes sociais
Em um comunicado divulgado nas redes sociais, a Chácara Chiari disse que “em virtude do atual cenário de insegurança sanitária, das severas restrições de funcionamento impostas pelas autoridades locais ao setor de eventos e o precoce falecimento do nosso sócio administrador, comunicamos a suspensão das atividades por tempo indeterminado até que haja uma definição jurídica acerca da continuidade da empresa”, pontuou a empresa em nota.
Reembolso
De acordo com a reportagem de O Tempo, um dos responsáveis pelo local, que solicitou que a identidade fosse preservada, disse que todos os contratantes serão reembolsados.
“A Chácara Chiari esclarece que todos os clientes que possuíam qualquer vínculo contratual com a empresa já foram individualmente contatados e receberam a minuta do termo de distrato para extinção do vínculo entre as partes. Informamos ainda que os reembolsos devidos serão integralmente realizados dentro do prazo estipulado pela legislação vigente, sem que haja qualquer prejuízo aos clientes. Todas as futuras providências estão sendo conduzidas por um escritório de advocacia especializado e serão pautadas na transparência e honestidade que sempre marcaram a conduta do Dr. Carlos Chiari à frente da empresa nos últimos 35 anos”, descreveu a nota.
Fonte: O Tempo








