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Cânions de Furnas abrigarão um dos maiores complexos turísticos da América do Sul

Paulo Coelho – Redação Últimas Notícias

Um grupo empresarial deve investir pesado na construção de um parque de aventura, um parque aquático e um mega hotel de uma rede de bandeira internacional, na área da parte alta dos cânions, às margens da MG-050.

Segundo um informante do jornal, que preferiu se manter em sigilo, o grupo fez a aquisição de uma área total de 129 hectares, onde será respeitado o limite de 100 metros da margem do Lago de Furnas.

Serão construídos dois trevos de acesso. Sendo um para o parque de aventuras e outro para o parque temático, depois dos cânions, sentido à Passos.
Especulações apontam que o grupo Thermas do Rio Quente, que pertence a Jorge Abukater, é o idealizador do mega projeto que aguarda todas as legalizações ambientais e da Marinha para o início das obras.

Há ainda informações não confirmadas de que serão construídas passarelas de vidro, em torno das belezas naturais ao longo dos cânions, respeitando o meio ambiente e fauna local.

Uma luz no fim do túnel

Foto: divulgação Decom

O prefeito Eugênio Vilela, após participar da solenidade de posse do governador Romeu Zema, seguiu para Brasília, com o intuito de igualmente, prestigiar a posse do amigo e do novo ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (foto ao lado), que ocorreu, na quarta-feira (2) para a qual foi convidado.

Naquela oportunidade, Eugênio comunicou ao ministro que apresentará a ele em fevereiro um projeto de turismo voltado para o Lago de Furnas. Segundo a nota oficial divulgada pelo município, “o ministro Marcelo se mostrou muito receptivo com o prefeito e disse que aguardará o projeto, porque está muito entusiasmado com a possibilidade de contribuir com o potencial turístico de Formiga e região. Também ressaltou que a cidade tem tudo para conseguir viabilizar esse projeto do Lago de Furnas”.

Relembrando

Formiga, durante muitos anos liderou aqui na chamada região do “lago norte”, as tratativas e investimentos para a implantação da indústria turística, esta voltada para o aproveitamento das potencialidades ofertadas pelo Lago de Furnas. Na década de 90, o município esteve à frente do movimento que resultou na elaboração do Plano Diretor para a região banhada por Furnas, um projeto bem detalhado que foi elaborado pela empresa espanhola GercInatur, totalmente financiado pelo governo do Estado de Minas.

Naquela época, a vocação turística desta região foi detectada e então sugerida a implantação de dezenas de empreendimentos que, sem dúvida, trariam benesses econômicas e o desenvolvimento regional com a consequente geração de empregos e renda.

Por razões outras, o município de Formiga veio aos poucos perdendo a liderança neste setor e as cidades vizinhas como Pimenta, Capitólio, Santo Hilário, Fama e tantas outras, hoje, exploram com maior intensidade o filão turístico, tendo assim aumentado exponencialmente suas rendas ao criarem e manterem milhares de vagas de emprego. A isto se agregou o crescimento de vários outros setores de suas economias locais, inclusive no setor de indústrias.

A então chamada “indústria sem chaminés”, que aqui poderia estar instalada e a pleno vapor, conforme era previsto à época em que os pioneiros, liderados pelo saudoso e incansável batalhador George Norman Kutowa previam, por total falta de iniciativa e comprometimento de alguns dos governos locais e agravado pelo não cumprimento de Furnas Centrais Elétricas com a manutenção do nível das águas em cota que permitisse a navegabilidade do lago, resultou no que hoje por aqui assistimos.

Espera-se que agora, a atual administração enxergando as potencialidades que a exploração turística pode representar para a economia local, o nosso Mar de Minas, ressurja com a importância que deve ter no mapa turístico nacional.

A rodovia que liga Pontevila ao Hotel Marina, totalmente construída com recursos da iniciativa privada, infelizmente, é hoje um exemplo do abandono e da falta de comprometimento do poder público com o setor. Bancada por empresários, corre o risco de se perder em razão da falta de manutenção mínima, obrigação do município.

Há que se perguntar: o que dizer da tal hidrovia que permitiria o escoamento de produção desta região para o sul de Minas, projeto lançado aqui mesmo, com a presença e comprometimento de ministro, secretários de governo e prefeitos da região, contando ainda com o aval da Alago, do Profurnas e de outras entidades que sequer foram capazes de exigir de Furnas, também representada naquele ato solene – lançamento do projeto – por membros de sua diretoria, cumprisse o que ali se estabeleceu?

Sem vontade política, a impressão que fica é a de que, tudo não passou de uma “brincadeira de mau gosto”, eleitoreira e sem sentido!

Que o novo ministro do Turismo, prefeitos e demais lideranças, percebam que reside na exploração deste filão turístico o caminho mais fácil para esta região se desenvolver economicamente e que eles reergam os planos e projetos do passado, que até se prove em contrário, são sim, pertinentes, bem estruturados e podem representar uma saída para a crise que hoje nos aflige.

É inadmissível que Formiga, situada a menos de 180 km de um dos maiores polos emissores de turistas do Brasil – a grande BH – sendo possuidora de uma das maiores áreas alagadas por Furnas – mais de 330 km de orla quando o lago está cheio e cerca de 120 quando este se encontra em sua cota mínima – não se aproveite desta condição privilegiada para explorar tal atividade. Isto sem nos referirmos à outra privilegiada condição por sua localização que nos coloca à margem de rodovias que ligam Minas a São Paulo, Rio e Triângulo mineiro.

A cota da represa, na quinta-feira (3), estava 11 metros abaixo do nível máximo (Foto: Arquivo UN)