Ciência e Saúde

Pesquisa comprova eficácia da música clássica para reduzir ansiedade de crianças na ida ao dentista

Ir ao dentista pode ser muito estressante, especialmente para crianças. Pensando em aliviar esse momento – sinônimo de tensão para alguns pacientes, mas fundamental para a saúde bucal –, pesquisadores descobriram que a música clássica pode diminuir em duas vezes a ansiedade do público infantil ao passar por procedimentos odontológicos.

De acordo com o jornal Hoje em Dia, o resultado é parte da primeira pesquisa brasileira sobre o tema, desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Odontologia da UFMG e publicada, recentemente, na revista científica European Archives of Paediatric Dentistry.

Segundo a coordenadora da odontopediatria da pós-graduação e orientadora do estudo, Júnia Maria Serra-Negra, a novidade, que já está sendo implantada na clínica pediátrica da UFMG, pode fazer com que a experiência de pacientes em consultórios dentários seja mais agradável e confortável. Ainda de acordo com ela, o uso da música clássica é um recurso seguro e eficaz, de baixo custo e execução simples.

Estudo
Desenvolvido na tese de mestrado da dentista Marcela de Oliveira Brant, o ensaio clínico analisou o comportamento de 34 crianças, de 4 a 6 anos, que tinham cáries em dois dentes. Assim, elas passaram pelo procedimento de restauração dentária em duas sessões, sendo que, em uma delas, foi utilizado um fone de ouvido com a Sinfonia 40 de Wolfgang Amadeus Mozart.

Durante as consultas, as crianças tiveram os níveis de ansiedades medidos através de um oxímetro de pulso, capaz de registrar a frequência cardíaca e a respiração. Esses sinais são alterados facilmente diante de situações de medo e desconforto, mas, durante o ensaio, eles foram controlados em até duas vezes quando a criança estava com o fone nos ouvidos.

“A Sinfonia 40, de Mozart, possui efeito relaxante comprovado cientificamente devido à influência que os comprimentos das ondas musicais provocam na parte cerebral responsável pelo comportamento, o córtex frontal. Além disso, ela é uma melodia universal, que pode ser utilizada em Minas Gerais e em qualquer parte do mundo”, explica Júnia Maria.

Infância
De acordo com a especialista e professora de pós-graduação em odontopediatria das Faculdades Unidas do Norte de Minas (Funorte), Taiane Oliveira, muitas são as fases de desenvolvimento nos primeiros anos de vida e o procedimento adequado faz toda a diferença.

“As crianças têm dificuldade de comunicação, forte relação com a mãe e medo do desconhecido. Durante o atendimento odontológico, elas ficam expostas a vários fatores, que podem gerar medo e ansiedade, como barulho, movimento das ferramentas e a manipulação da cavidade bucal”, diz.

Dessa forma, Taiane concorda que o profissional que lida com os pacientes mirins utilize técnicas para trazer calma e segurança a eles.

“É possível sim reduzir o medo e ansiedade para que o tratamento seja feito da maneira adequada. Entre essas técnicas, é interessante explicar para a criança o passo a passo do procedimento que será feito, envolvendo a demonstração visual, auditiva, tátil e olfativa. Além disso, é possível distrair a criança com histórias, músicas ou outros assuntos de interesse dela”, explica.

Cuidados
De acordo com a professora, esses pacientes devem passar por uma avaliação com o odontopediatra ainda bebês, para fazer o teste da língua e verificar se há alguma anomalia na boca. Após o aparecimento do primeiro dentinho, os pais devem levar novamente o filho ao consultório.
O ideal é que as consultas ocorram de seis em seis meses, para que o profissional possa acompanhar o desenvolvimento da criança e prevenir as cáries.

 

Fonte: Hoje em Dia ||