O descompasso entre supressão de árvores e replantio preocupa moradores de Belo Horizonte e especialistas em meio ambiente e qualidade de vida.
Enquanto, neste ano, 7.800 espécimes tinham sido removidos na capital mineira até nesta segunda-feira (23), apenas 4.215 novas mudas foram plantadas – reposição de 54%. São em torno de 29 remoções por dia em 2019, média superior à do ano passado, que teve 10.122 retiradas (27 por dia) e 9.722 replantios, o que equivale a 96% de reposição. As informações são da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura e foram repassadas ao jornal O Tempo.
Serão cortadas pela administração municipal 77 árvores no corpo do aterro da barragem, como medida de segurança, para evitar erosão e evitar danos à galeria que passa por baixo da estrutura, segundo a PBH. De acordo com a secretaria, “a presença de árvores no corpo do aterro de uma barragem de terra é caracterizada como uma anomalia, sendo necessária a retirada”, que começou no dia 16.
A previsão da PBH é que as intervenções na barragem continuem até dezembro, com retiradas de árvores como palmeira, amoreira, leucena, pata-de-vaca, ipê e goiabeira. O Executivo informou que, somente no fim dos trabalhos, vai ser feito o replantio de 35 mudas de ipê amarelo, em locais a serem definidos pela Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica na área do Parque Jornalista Eduardo Couri, no entorno da barragem.
Lei
Segundo a administração municipal, como o ipê amarelo conta com proteção específica da legislação, a supressão de árvores desse tipo implica em replantios da mesma espécie – 35 ipês vão ser plantados em contrapartida aos sete que serão suprimidos. Não há exigência de replantio para as demais árvores, já que elas estão em local irregular.
Muitas vezes, a supressão é feita para manutenção da limpeza ou aumentar a segurança, como é o caso da intervenção na barragem, conforme explicou a PBH. O Conselho Municipal de Meio Ambiente determina, “sempre que possível, o plantio de pelo menos uma nova árvore” a cada exemplar retirado.
Morador diz que retirada é ‘descaso’
“Há mais de 20 anos faço corrida aqui. Vai fazer falta demais
este refresco. Se uma árvore dessa cair, não vai causar dano nenhum. Basta
cuidar, colocar remédio e adubo. É descaso atrás de descaso”, criticou o
engenheiro Gilberto Alvarenga, 64 anos, ao ouvir o barulho de motosserra,
machados e foices derrubando árvores na barragem Santa Lúcia, na região
Centro-Sul da capital mineira. Ele mora no bairro Santo Antônio, vizinho à
barragem.
De acordo com Alvarenga, muitos moradores da região faziam chá com as folhas da
goiabeira que ele viu tombar em questão de minutos. “É um remédio medicinal. A
árvore também oferecia frutos para os pássaros, que vão ficar ausentes daqui
agora”, lamentou o engenheiro.
Falta transparência, critica associação
O baixo número de plantios é classificado como “descaso” pela superintendente executiva da Associação Mineira de Defesa do Ambiente, Dalce Ricas. Segundo ela, ao não replantar na mesma velocidade com que se eliminam as árvores, a cidade pode sofrer consequências como a redução da sustentabilidade e a deterioração da qualidade de vida das pessoas.
“Uma das consequências muito graves é o aumento das temperaturas. É questão também de qualidade de vida. Não descartamos a necessidade de supressão quando são detectados problemas que comprometem a saúde da árvore ou representam risco à população. No entanto, anunciam que vão plantar, mas nunca sabemos onde e quando. Não existe transparência. Não adianta retirar a árvore de um local central e colocar em um ponto isolado, longe da população”, ressalta.
De acordo com a Prefeitura, cortes e supressões de árvores são feitos mediante laudos técnicos de profissionais habilitados e que consideram critérios como sinais de risco de queda, enfraquecimento, infestação de insetos e abalo provocado por raios.
Fonte: O Tempo Online||








