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Irã anuncia fechamento do Estreito de Ormuz e ameaça atacar navios

Foto: Freepik/Imagem ilustrativa

O governo do Irã anunciou nessa segunda-feira (2) o fechamento do Estreito de Ormuz e afirmou que qualquer embarcação que tente atravessar a rota será alvo de ataque. A declaração foi feita em nome do comandante da Guarda Revolucionária iraniana e divulgada pela mídia estatal do país.

“O estreito está fechado. Se alguém tentar passar, os heróis da Guarda Revolucionária e da Marinha regular incendiarão esses navios”, afirmou Ebrahim Jabari, assessor do comando da Guarda.

O anúncio ocorre após o governo iraniano ter comunicado, no sábado (28), a interrupção da navegação na área, em retaliação à morte do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. Apesar das declarações de Teerã, o Comando Central dos Estados Unidos informou, segundo a Fox News, que o estreito não está fechado.

O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo, conectando grandes produtores do Golfo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. O bloqueio da passagem pode afetar cerca de um quinto do fluxo global de petróleo e pressionar os preços internacionais da commodity.

Mais cedo, a Guarda Revolucionária realizou um ataque com drones contra o petroleiro Athen Nova, que navegava pelo estreito. Fontes ouvidas pela agência Reuters confirmaram o ataque e identificaram a embarcação atingida.

Em meio à escalada de tensões, a unidade de elite da Guarda Revolucionária declarou que os “inimigos que mataram” Ali Khamenei “não estarão seguros nem mesmo em casa”. A ameaça foi divulgada pouco depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar em discurso em Washington que está confiante na vitória norte-americana na ofensiva contra Teerã.

Em publicação na rede X, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, pediu que Estados Unidos e Israel sejam responsabilizados por bombardeios contra uma escola de meninas no sul do Irã, que deixou 168 mortos no sábado (28), e contra um hospital em Teerã, no domingo (1º). Nem Washington nem Tel Aviv confirmaram responsabilidade pelos ataques.

“Um ataque a um hospital é um ataque à vida, e um ataque a uma escola é um ataque ao futuro de uma nação”, escreveu Pezeshkian, manifestando solidariedade às vítimas e afirmando que o país “não se calará nem se renderá”.

Também nesta segunda-feira, Donald Trump declarou que a ofensiva representa “a última e melhor chance” de eliminar o que chamou de ameaça do regime iraniano. Segundo ele, o conflito deve durar “quatro ou cinco semanas ou mais”.

Em discurso na Casa Branca durante cerimônia de entrega de medalhas a veteranos das guerras do Vietnã e do Afeganistão, o presidente norte-americano afirmou que os objetivos da ação militar são destruir mísseis iranianos, desmantelar a Marinha do país e impedir o avanço de seu programa nuclear e o financiamento a grupos considerados terroristas pelos Estados Unidos.

Trump disse ainda que não pretende retomar negociações com Teerã e reiterou críticas ao acordo nuclear firmado durante o governo de Barack Obama, do qual os EUA se retiraram. “Achamos que tínhamos um acordo, e eles deram para trás. Uma hora falamos chega”, afirmou.

De acordo com autoridades norte-americanas, quatro militares dos EUA morreram até o momento, e outros 18 estão em estado grave após ataques retaliatórios iranianos. O presidente também afirmou que forças norte-americanas afundaram ao menos dez embarcações iranianas e estão destruindo a capacidade de produção e lançamento de mísseis do país.

Entre os objetivos declarados por Trump estão “garantir que o Irã nunca tenha uma arma nuclear” e impedir que o governo iraniano financie grupos armados no Oriente Médio.

Com informações do G1