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Minas Gerais registra 4.101 casos de estupro de vulnerável em um ano

Foto: Imagem Ilustrativa/TJMG

Minas Gerais registrou 4.101 casos de estupro de vulnerável em um período de um ano, segundo levantamento do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Os dados, referentes a vítimas com menos de 14 anos, foram contabilizados entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, com base em registros da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), e destacam a violência sexual contra crianças e adolescentes no estado, às vésperas do Dia Mundial da Infância, celebrado em 21 de março.

Gravidade e consequências dos casos

Do total de ocorrências, 97,27% dos crimes foram consumados e, em 235 situações, a violência resultou em gravidez. Sobre esses casos, a promotora de justiça Graciele Almeida de Rezende reforçou que cada situação está sendo analisada individualmente pelas Promotorias de Justiça para garantir direitos e acolhimento.

“Além do trauma causado pelo abuso sexual, essas meninas vivenciam as graves consequências de uma gravidez precoce. É preciso olhar para essas vítimas, garantindo a elas direitos e acolhimento completo, imediato e humanizado. Fomentar a contínua qualificação das redes de proteção para o atendimento de casos similares é também uma prioridade institucional”, afirmou a promotora.

Outro dado preocupante é que mais da metade dos abusos ocorre dentro do próprio círculo de convivência da vítima. Em 52,8% dos casos, o agressor é alguém da família ou uma pessoa próxima, o que dificulta a denúncia e aumenta o risco de repetição do crime.

Distribuição geográfica dos casos

O levantamento aponta que 611 municípios mineiros registraram casos, o que corresponde a 71,6% do território estadual. A região metropolitana de Belo Horizonte concentrou 33,8% das ocorrências, seguida pelo Triângulo Mineiro, Sul de Minas e Zona da Mata. Belo Horizonte lidera com 379 casos, enquanto Contagem, Uberaba e Uberlândia também estão entre os municípios com maior número de registros.

Segundo o MPMG, a proximidade entre vítima e agressor contribui para o silêncio e dificulta a denúncia. As informações do levantamento foram repassadas às equipes regionais que atuam junto às redes de proteção, com o objetivo de orientar estratégias de prevenção e combate.

O próprio MPMG alerta que os números podem ser ainda maiores, pois muitos casos não são denunciados por medo, vergonha ou pressões familiares. Além disso, meninos vítimas de abuso tendem a denunciar menos devido a barreiras culturais e receio de estigmatização.

Sinais de alerta e prevenção

Mudanças de comportamento podem ser um dos poucos indícios de que a criança ou adolescente está sofrendo abuso. Isolamento, tristeza, medo excessivo, queda no desempenho escolar, alterações no sono ou apetite e lesões recorrentes merecem atenção.

Diante de qualquer suspeita, a recomendação é procurar imediatamente órgãos de proteção, como Conselhos Tutelares, Ministério Público, polícia ou serviços de saúde. Especialistas orientam que a escuta da criança seja realizada por profissionais capacitados, evitando novos traumas.

Para o Ministério Público, a prevenção depende principalmente da informação. O diálogo dentro de casa e a orientação nas escolas são fundamentais para criar um ambiente de confiança, onde crianças e adolescentes se sintam seguros para pedir ajuda.

O levantamento do MPMG evidencia a gravidade da violência sexual contra crianças e adolescentes em Minas Gerais e reforça a necessidade de políticas públicas, redes de proteção eficazes e atenção integral às vítimas para garantir acolhimento, prevenção e responsabilização dos agressores.

Com informações do Metrópoles