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Apenas 22% das rodovias de Minas são consideradas seguras para mitigar acidentes

Foto: João Godinho / O TEMPO

Quem trafega pelas rodovias de Minas Gerais enfrenta desafios que vão além da atenção ao volante. Levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT), divulgado nesta semana e antecipado com exclusividade ao jornal O TEMPO, mostra que 77,6% da malha rodoviária mineira possui média ou baixa capacidade de mitigar as consequências de acidentes. O dado indica que, em casos de falhas humanas ou mecânicas, a própria infraestrutura das estradas pode contribuir para o agravamento dos sinistros, aumentando o número de mortos e feridos.

O diagnóstico integra a terceira edição do painel “Rodovias que Perdoam”, estudo que avalia a presença de elementos de segurança capazes de reduzir os impactos de acidentes nas rodovias brasileiras.

O conceito de “perdão” utilizado pela CNT considera a existência de mecanismos de segurança passiva, como defensas metálicas, barreiras de contenção, acostamentos pavimentados e áreas livres de obstáculos nas margens das pistas.

Segundo Fernanda Rezende, diretora-executiva da CNT, o estudo parte do princípio de que erros humanos, falhas mecânicas e outros fatores de risco são inevitáveis.

“Partimos da ideia de que erros humanos, falhas mecânicas e outros fatores de risco são inevitáveis. Por isso, a infraestrutura viária precisa ser capaz de reduzir a gravidade quando um acidente ocorre. Os trechos com maior nível de perdão buscam reunir elementos de segurança, como defensas e barreiras, melhor geometria viária, boa sinalização e infraestrutura capaz de absorver ou minimizar erros. Já os trechos com baixo perdão tendem a apresentar carências nesses componentes”, explica.

Detentora da maior malha rodoviária do Brasil, Minas Gerais teve 15.557 quilômetros de estradas avaliados pelo levantamento. Desse total, apenas 22,3%, o equivalente a 3.477 quilômetros, foram classificados com alto índice de perdão.

Por outro lado, 46,7% da malha, correspondente a 7.269 quilômetros, foi enquadrada na categoria de médio risco. Já 30,9%, ou 4.811 quilômetros, receberam a classificação de baixo perdão, o pior resultado absoluto do país em extensão de rodovias consideradas críticas.

Apesar de a região Sudeste concentrar os melhores indicadores nacionais, impulsionados principalmente pelas concessões rodoviárias, Minas Gerais apresenta desempenho inferior ao dos estados vizinhos.

Enquanto Minas possui pouco mais de 20% de suas estradas classificadas com alto índice de perdão, São Paulo lidera o ranking nacional, com 67,5% da malha considerada segura. O Rio de Janeiro aparece na sequência, com 52,2%, enquanto o Espírito Santo registra 23,7%.

Nos trechos classificados como de baixo perdão, a diferença também chama atenção. O índice mineiro de 30,9% é quase sete vezes superior ao registrado em São Paulo, que possui 4,7%, e cerca de cinco vezes maior que o percentual observado no Rio de Janeiro, de 6,3%.

Para Matheus Fernandes, diretor-superintendente da Ecovias, concessionária responsável por trechos rodoviários em Minas Gerais, o modelo de concessão é fundamental para garantir melhorias na infraestrutura.

Segundo ele, os contratos estabelecem obrigações claras e mecanismos de fiscalização que favorecem o cumprimento das metas previstas. “Qualquer inadimplência ou não cumprimento do contrato, a gente está sujeito a penalidades e medidas administrativas. Quando existe um contrato com obrigações claras e medidas previstas, caso não ocorra seu cumprimento, tudo flui de forma natural”, afirma.

Os dados comparativos entre 2024 e 2025 mostram uma leve evolução nos indicadores mineiros. A extensão de rodovias classificadas com baixo índice de perdão caiu de 5.007 quilômetros para 4.811 quilômetros.

Ao mesmo tempo, a faixa considerada de médio risco aumentou de 7.070 quilômetros para 7.269 quilômetros. Já os trechos classificados com alto índice de perdão apresentaram redução, passando de 3.512 quilômetros, em 2024, para 3.412 quilômetros no ano passado.

Para Fernanda Rezende, os números reforçam a necessidade de ampliar os investimentos em infraestrutura e segurança viária.

“Minas continua concentrando uma parcela significativa de rodovias com menor capacidade de mitigar a gravidade dos acidentes, o que reforça a importância de investimentos contínuos em infraestrutura e segurança viária, sobretudo em corredores estratégicos para o transporte de cargas e passageiros”, destaca.

As questões relacionadas à infraestrutura e logística estarão em debate no próximo dia 11 durante o O TEMPO Seminários, que será realizado na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Belo Horizonte.

O encontro reunirá autoridades públicas, investidores e empresários para discutir os principais desafios e oportunidades para a modernização do setor, além de temas como investimentos em infraestrutura, concessões, ferrovias, rodovias, mobilidade urbana, transporte de cargas, integração modal, desenvolvimento regional, cidades inteligentes e logística estratégica.

O levantamento da CNT evidencia que Minas Gerais ainda enfrenta desafios significativos para tornar sua malha rodoviária mais segura. Embora o estado tenha apresentado uma leve melhora em alguns indicadores, a elevada proporção de rodovias com média ou baixa capacidade de reduzir os impactos dos acidentes demonstra a necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura, segurança viária e ampliação de modelos de gestão capazes de promover melhorias nas estradas utilizadas diariamente por milhares de motoristas e transportadores.

 

Com informações do O Tempo