Ciência e Saúde

Terapia inovadora da USP reduziu câncer em 90% dos pacientes

Foto: Reprodução/G1

A versão brasileira da terapia CAR-T Cell apresentou uma taxa de resposta de 87,5% em pacientes com linfoma não Hodgkin, segundo resultados preliminares divulgados nesta quarta-feira (10) pelo Ministério da Saúde. A pesquisa é conduzida pelo Hemocentro de Ribeirão Preto, em parceria com o Instituto Butantan e a Universidade de São Paulo (USP), e representa um avanço no tratamento de câncer no país.

O estudo avalia a segurança e a eficácia da terapia celular, que utiliza as próprias células de defesa do paciente, modificadas geneticamente em laboratório, para combater o câncer.

Como funciona a terapia CAR-T Cell

A terapia CAR-T Cell é um tratamento inovador que atua diretamente no sistema imunológico do paciente.

O procedimento consiste na coleta das células T, um tipo de glóbulo branco responsável pela defesa do organismo, que são reprogramadas em laboratório para reconhecer e atacar células cancerígenas.

Após essa modificação, as células são reinseridas no paciente para agir no combate ao tumor.

Estudo avalia segurança e eficácia do tratamento

Conduzido pela USP, o estudo tem como principal objetivo analisar a segurança da administração das células T modificadas, além de identificar possíveis eventos adversos e medir a eficácia do tratamento.

De acordo com os pesquisadores, os resultados preliminares indicam que cerca de 9 em cada 10 pacientes apresentaram redução significativa ou desaparecimento do tumor após a terapia.

Segundo a universidade, até o momento:

  • 75 participantes foram incluídos no estudo clínico;
  • 25 pacientes já receberam a infusão da terapia CAR-T Cell;
  • A produção das células CAR-T foi realizada para 81 participantes;
  • O estudo de fase I/II ainda está em andamento.

Para o professor titular de Hematologia da USP e um dos responsáveis pela pesquisa, Rodrigo Calado, os resultados iniciais são considerados bastante positivos.

Essa terapia é a mais moderna no tratamento de leucemias e linfomas, e foi desenvolvida internamente nos laboratórios da USP para ser disponível aos pacientes do SUS. O resultado até agora nos surpreendeu, com resposta de 87,5% dos pacientes ao tratamento”, afirmou.

O pesquisador também destacou que há estudos em desenvolvimento para ampliar o uso da terapia em outras doenças.

Segundo ele, estão previstos testes para pacientes com doenças autoimunes, como lúpus e miastenia gravis.

Próximos passos da pesquisa

A pesquisa segue com a meta de recrutar pelo menos 100 pacientes para a continuidade do estudo clínico.

A expectativa dos pesquisadores é que, após a conclusão das etapas de análise, a terapia possa ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) pelo Ministério da Saúde.

Com informações do G1