Meio Ambiente

Amazônia recupera área coberta por água após seca, mas chegada do El Niño acende alerta

Foto: Reprodução/Fundo Amazônia

Após dois anos consecutivos de seca severa, a Amazônia apresentou recuperação da superfície coberta por água em 2025. Os dados foram divulgados pelo MapBiomas, plataforma que monitora as transformações na cobertura e no uso da terra em diversos países, incluindo o Brasil.

Apesar do avanço, especialistas destacam que a recuperação ocorreu abaixo do esperado e que parte da região ainda permanece com índices inferiores à média histórica. Segundo o levantamento, 37% da Amazônia continua apresentando superfície de água abaixo dos níveis considerados normais.

Para especialistas, a melhora representa uma notícia positiva, mas deve ser analisada com cautela diante dos impactos das mudanças climáticas. A avaliação é que o tempo necessário para a recuperação demonstra a vulnerabilidade do bioma aos eventos extremos.

O estudo aponta que o aumento das chuvas registrado em 2024 contribuiu para a recuperação observada neste ano. No entanto, a recente confirmação da chegada do El Niño preocupa pesquisadores, já que o fenômeno costuma provocar períodos de estiagem na Amazônia e pode favorecer o retorno das condições de seca.

Além da situação na Amazônia, o relatório mostra que o Brasil segue enfrentando uma tendência de redução da superfície coberta por água ao longo das últimas décadas. Segundo o MapBiomas, os dados mais recentes devem ser analisados dentro de um contexto mais amplo, marcado por perdas contínuas dos recursos hídricos.

Pesquisadores também alertam que, além das mudanças climáticas, ações humanas como o desmatamento e as alterações no uso da terra contribuem para agravar o problema e reduzir a capacidade de recuperação dos ecossistemas.

Cenário exige atenção

Embora a recuperação registrada em 2025 represente um sinal positivo para a Amazônia, especialistas reforçam que o cenário ainda exige monitoramento constante. A combinação entre mudanças climáticas, desmatamento e a chegada do El Niño mantém o alerta para possíveis impactos sobre os recursos hídricos da região nos próximos anos.

Com informações do O Tempo