Economia

Petrobras reduz preço do querosene de aviação em 14,5% a partir de julho

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Queda é o segundo reajuste consecutivo para baixo e reflete redução dos impactos do conflito no Oriente Médio sobre o mercado internacional

A Petrobras anunciou nesta quarta-feira (1º) uma redução de 14,5% no preço de venda do querosene de aviação (QAV) às distribuidoras. O reajuste, realizado no início de cada mês, representa uma queda de R$ 0,81 por litro e é o segundo recuo consecutivo no valor do combustível utilizado por aviões e helicópteros.

Nas refinarias da estatal, o novo preço do QAV passa a variar entre R$ 4,67 e R$ 4,93 por litro.

Segundo a Petrobras, a queda foi possível devido à atenuação dos efeitos que o conflito no Oriente Médio provocou sobre os preços internacionais dos derivados de petróleo.

Apesar da redução anunciada para julho, o combustível ainda acumula alta de 40,5% em relação ao fim de 2025, o que representa um aumento de R$ 1,39 por litro no período.

Guerra afetou oferta de petróleo

Com a eclosão da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, em 28 de fevereiro, a cadeia logística da indústria do petróleo sofreu impactos que provocaram forte elevação dos preços.

O principal fator foi o bloqueio do Estreito de Ormuz, localizado ao sul do Irã. Antes do conflito, cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás passava pela região. A redução da oferta no mercado internacional contribuiu para a alta dos preços.

Embora o Brasil seja produtor de petróleo, o preço do produto e de seus derivados é definido pelo mercado internacional, já que são considerados commodities negociadas globalmente.

Histórico de reajustes em 2026

O querosene de aviação registrou sucessivos aumentos ao longo do ano. Em abril, a Petrobras elevou o preço do combustível em 55%. Em maio, houve novo reajuste de 18%.

Na ocasião, para reduzir o impacto financeiro sobre as distribuidoras, a estatal autorizou o parcelamento do reajuste. Em junho, o preço foi reduzido em 14,2%, movimento que teve sequência com o novo corte de 14,5% anunciado para julho.

A redução dos efeitos da guerra também levou o governo federal a iniciar o processo de retirada dos subsídios concedidos às empresas produtoras e importadoras de combustíveis. A medida havia sido adotada para evitar repasses elevados ao consumidor final.

Como funciona a comercialização do combustível

A Petrobras comercializa o querosene de aviação produzido em suas refinarias ou importado para as distribuidoras. Após a compra, as distribuidoras são responsáveis pelo transporte e pela venda do combustível às companhias aéreas e demais consumidores finais nos aeroportos, além de revendedores.

Atualmente, a Petrobras responde por aproximadamente 85% da produção nacional de querosene de aviação. Apesar dessa participação, o mercado é aberto à livre concorrência, permitindo a atuação de outras empresas como produtoras ou importadoras do combustível.

A redução anunciada para julho representa a continuidade do movimento de queda iniciado no mês anterior, após um período de fortes reajustes impulsionados pelo cenário internacional. Mesmo com os dois cortes consecutivos, o querosene de aviação permanece significativamente mais caro do que no encerramento de 2025.

Com informações da Agência Brasil