Ciência e Saúde

Ficar muito tempo sentado pode prejudicar a saúde; saiba como prevenir

Foto: Magnific/Imagem ilustrativa

Passar uma jornada inteira de trabalho sentado, sem pausas, pode trazer consequências importantes para a saúde. De acordo com a fisioterapeuta Raquel Furquim, permanecer na mesma posição por longos períodos afeta não apenas a coluna, mas também favorece o intestino preguiçoso, a retenção de líquidos e alterações respiratórias. Segundo a especialista, técnicas de automassagem, alongamentos, pausas frequentes e adaptações ergonômicas no ambiente de trabalho ajudam a minimizar esses impactos.

Em entrevista à coluna Claudia Meireles, Raquel destaca que o maior problema não é o fato de permanecer sentado, mas sim a ausência de movimento ao longo do dia.

Ficar sentado por longos períodos reduz a circulação, aumenta a sobrecarga sobre os discos da coluna e faz com que alguns músculos fiquem excessivamente tensionados, enquanto outros enfraquecem por falta de uso”, explica.

Além da falta de movimentação, a fisioterapeuta ressalta que a postura tende a piorar ao longo da jornada de trabalho.

Segundo ela, com o passar das horas é comum que o corpo vá perdendo o alinhamento adequado, fazendo com que a cabeça avance para frente, os ombros fiquem arredondados e a região lombar perca sua curvatura natural. Esse comportamento aumenta o estresse sobre as estruturas passivas da coluna, favorecendo o surgimento de dores e desconfortos.

Os efeitos de permanecer sentado por muito tempo não se restringem à coluna vertebral. Raquel afirma que outras regiões do corpo também sofrem com a sobrecarga.

De acordo com a especialista, a região cervical é prejudicada pelo posicionamento inadequado da cabeça em relação ao monitor. Os ombros tendem a permanecer elevados e tensionados, enquanto os quadris e os músculos posteriores das coxas ficam pressionados, com comprometimento da circulação. Esse quadro pode provocar encurtamentos musculares, interferindo na mecânica da coluna e favorecendo o aparecimento de dores.

A fisioterapeuta também chama atenção para os impactos na respiração.

“Há uma compressão do diafragma e, com o tempo, alteração da mobilidade e mecânica respiratória, além da diminuição da motilidade dos órgãos internos, acarretando alterações digestivas, circulatórias e metabólicas”, aponta.

Para aliviar os desconfortos provocados pela permanência prolongada na posição sentada, Raquel recomenda a adoção de medidas simples durante o expediente.

Entre elas estão a automassagem com as mãos ou com uma bolinha na região dos ombros, entre as escápulas e nos glúteos, além de alongamentos leves para o pescoço, peito e coluna. Exercícios de mobilidade e respiração também são indicados.

No ambiente de trabalho, principalmente em escritórios, ajustes ergonômicos também fazem diferença. A especialista orienta que a cadeira permita manter os pés totalmente apoiados no chão, os joelhos em aproximadamente 90 graus e o encosto ofereça suporte adequado para a região lombar.

Para quem trabalha diante do computador, o monitor deve permanecer na altura dos olhos, evitando que a cabeça fique inclinada para baixo. Já o teclado e o mouse precisam ficar próximos ao corpo, mantendo os cotovelos relaxados em torno de 90 graus.

Mesmo com um ambiente ergonomicamente ajustado, permanecer imóvel por várias horas continua sendo um fator de risco.

Segundo Raquel Furquim, o movimento é a medida mais importante para preservar a saúde durante a jornada de trabalho.

O ideal é não esperar horas para se movimentar. Pausas a cada 30 a 40 minutos para levantar, alongar ou realizar movimentos simples já ajudam a reduzir a rigidez, melhorar a circulação e diminuir a sobrecarga na coluna. Pausas frequentes e curtas são mais eficazes do que uma única pausa longa”, afirma.

Mesmo adotando medidas preventivas, alguns sinais indicam a necessidade de avaliação especializada.

Raquel alerta que dores persistentes por vários dias, desconfortos recorrentes ou limitações nas atividades do dia a dia exigem acompanhamento profissional. A especialista também recomenda atenção a sintomas como irradiação da dor para braços ou pernas, formigamento, perda de força e alterações de sensibilidade, que devem ser avaliados por um profissional de saúde.

 

Com informações do Metrópoles