Meio Ambiente

Observatório do Clima reúne 37 soluções para reduzir emissões de metano no Brasil

Foto: © Paulo Pinto/Agencia Brasil

A rede de organizações ambientais e de pesquisa Observatório do Clima lançou nesta terça-feira (18) um relatório que reúne 37 soluções para que o Brasil possa reduzir as emissões de metano (CH4), um dos gases mais potentes relacionados ao aquecimento global. As propostas contemplam os setores de agropecuária, resíduos, mudança de uso da terra e florestas e energia.

Apesar de permanecer entre 10 e 20 anos na atmosfera, o metano tem potencial de aquecimento do planeta 28 vezes maior que o gás carbônico (CO2). O Brasil é o quinto país que mais emite o poluente, atrás de China, Estados Unidos, Índia e Rússia.

Segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), do Observatório do Clima, o Brasil lançou 21 milhões de toneladas de metano na atmosfera em 2024.

Para David Tsai, coordenador do SEEG, a redução das emissões de metano é uma medida crítica para conter o aquecimento global e levar o planeta de volta à normalidade climática. Segundo ele, o país dispõe de um amplo conjunto de soluções, mas precisa transformar esse conhecimento em ações coordenadas e implementadas em escala.

As 37 soluções apresentadas no relatório são distribuídas entre quatro áreas. Para cada setor, são indicadas medidas relacionadas a planejamento, financiamento, governança, operação e monitoramento.

A agropecuária reúne 15 propostas e exige a participação de diferentes setores, incluindo produtores, governos, instituições financeiras e academia. Entre as medidas estão mudanças no manejo de animais e de resíduos, planejamento territorial, ampliação da assistência técnica e maior acesso ao crédito.

O setor foi responsável por 15,7 milhões de toneladas de metano em 2024, o equivalente a 75,8% das emissões brasileiras do gás naquele ano.

As propostas para a área foram elaboradas pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora). Para Gabriel Quintana, coordenador da área de Ciência do Clima do instituto, as mudanças necessárias também representam oportunidades para ampliar a produtividade e a eficiência na produção de alimentos.

Segundo Quintana, a edição do SEEG Soluções amplia estratégias já existentes e apresenta alternativas que podem ser adotadas por produtores, municípios e regiões do país.

No setor de resíduos, o relatório aponta como necessárias medidas relacionadas ao manejo e à governança de aterros sanitários, além da eliminação dos lixões.

A rede global Iclei – Governos Locais pela Sustentabilidade contribuiu com 12 propostas. Entre as medidas estão ações para estimular cidades brasileiras a reduzir a geração e o desperdício de resíduos, ampliar a coleta seletiva e promover o aproveitamento energético de materiais.

De acordo com Iris Coluna, assessora do Iclei-Governos Locais pela Sustentabilidade, as propostas buscam auxiliar os municípios na redução das emissões de metano associadas aos resíduos.

Para o setor de Mudança no Uso da Terra (MUT) e Florestas, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) apresentou cinco sugestões.

As propostas estão voltadas principalmente para o aprimoramento do monitoramento, da prevenção e do combate a incêndios na vegetação nativa.

As cinco últimas sugestões do relatório são destinadas ao setor de energia e têm como foco a redução das emissões de metano nas cadeias de combustíveis fósseis, como petróleo, gás e carvão.

As ações estão concentradas na identificação e redução de vazamentos e desperdícios nos processos produtivos. As contribuições foram elaboradas pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), com respostas específicas para as diferentes necessidades do setor.

Segundo Ingrid Graces, pesquisadora do Iema, situações relacionadas ao acesso à energia, como o uso de lenha para cozinhar por pessoas sem acesso a outras fontes, demandam políticas públicas. Já as emissões provenientes da cadeia de combustíveis fósseis estão associadas à operação industrial e, de acordo com a pesquisadora, devem resultar em responsabilização de quem obtém lucro com a atividade.

O relatório do Observatório do Clima reúne medidas voltadas a diferentes fontes de emissão de metano no Brasil e aponta a necessidade de articulação entre governos, setores produtivos, instituições financeiras, academia e sociedade.

As propostas abrangem desde mudanças nas atividades agropecuárias e no gerenciamento de resíduos até ações de prevenção de incêndios e redução de vazamentos nas cadeias de combustíveis fósseis. Para o Observatório do Clima, transformar esse conjunto de soluções em ações coordenadas e aplicadas em escala é um passo necessário para reduzir as emissões do gás e contribuir para o enfrentamento do aquecimento global.

 

Com informações da Agência Brasil