Policial

Presos por agiotagem são suspeitos de tortura e ameaça em MG

Foto: PCMG / Divulgação

Dez pessoas, entre elas três mulheres, foram presas na manhã desta quinta-feira (20) durante a Operação Gargantua, deflagrada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). O grupo é apontado como responsável por crimes de agiotagem, tortura, lavagem de dinheiro e associação ao tráfico de drogas.

Segundo as investigações, os crimes eram praticados principalmente em São José da Lapa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A organização também teria ramificações em Belo Horizonte, Contagem, Vespasiano e Capitólio. Uma pessoa ainda é considerada foragida.

Durante a operação, foram apreendidos R$ 170 mil em dinheiro, além de joias, relógios de luxo, três armas de fogo, 90 munições de calibre 9mm e um contador de notas. A Polícia Civil também solicitou à Justiça o bloqueio de R$ 22 milhões em bens ligados ao grupo. Pelo menos seis carros e algumas motocicletas foram encontrados e sequestrados.

As investigações tiveram início em 2025, quando o setor de inteligência da 2ª Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco II), em Belo Horizonte, passou a apurar informações sobre a atuação de uma organização criminosa envolvida em esquemas de agiotagem.

Nesta quinta-feira, os investigadores cumpriram 18 mandados de busca e apreensão, além das ordens judiciais de prisão temporária contra os suspeitos.

De acordo com o delegado Raphael Machado, o modo de atuação identificado pela investigação é característico da agiotagem. Os suspeitos emprestavam dinheiro com juros considerados abusivos e, quando os valores não eram pagos, realizavam cobranças mediante violência e ameaças.

As vítimas também eram obrigadas a fornecer dados e fotografias de familiares, principalmente das mães. Conforme a investigação, essas informações eram utilizadas posteriormente para intensificar as ameaças e coações.

“Caso não houvesse o pagamento na data, eles impunham ou a renovação com juros e multas que eles mesmos estipulavam na hora, ou então partiam para o crime de tortura para punir essas pessoas”, afirmou Machado.

A investigação apontou ainda que a organização utilizava estratégias semelhantes às de um comércio convencional para encontrar possíveis clientes.

Segundo o delegado, os investigados distribuíam cartões de visita oferecendo empréstimos facilitados, sem consulta a cadastros de inadimplentes. Eles também percorriam bairros das cidades onde atuavam, de porta em porta, oferecendo os empréstimos.

Além das ameaças e coações, os integrantes do grupo são investigados por torturar pessoas que não quitavam os empréstimos.

As suspeitas foram reforçadas após os policiais encontrarem roupas e máscaras camufladas que, segundo a investigação, seriam utilizadas durante as agressões. Os suspeitos também filmavam os atos, e gravações foram localizadas em celulares apreendidos durante a operação.

Entre os registros encontrados estão vídeos que mostram agressões graves contra vítimas, incluindo amputação de dedo com uma serra circular, espancamento com um pedaço de madeira e ameaças envolvendo arma de fogo. Em outra gravação, uma mulher é questionada sobre o pagamento de uma dívida e posteriormente agredida com um cabo de vassoura.

Segundo o delegado responsável pela Draco II, a Polícia Civil já identificou seis pessoas que teriam sido torturadas pelo grupo.

“Na investigação nós identificamos esses métodos de tortura bastante bárbaros, com amputação de dedos das mãos, bastante violência e alcançando não só as próprias vítimas como também os familiares”, afirmou Machado.

Entre os dez presos estão apontados como líderes da organização dois irmãos. Conforme o delegado Raphael Machado, um deles já cumpria pena por uma tentativa de homicídio relacionada à organização criminosa.

Os demais integrantes presos teriam funções distintas dentro do esquema. Segundo a Polícia Civil, alguns atuavam como operadores financeiros, outros realizavam as cobranças e também havia integrantes responsáveis por manter os registros dos valores emprestados.

As três mulheres presas na operação seriam responsáveis pela captação de novos clientes, de acordo com as investigações.

 

Com informações do O Tempo