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Malware altera QR Code do Pix em compras online e afeta lojas virtuais no Brasil

Foto: Hugo Barreto/Metrópoles

Um novo malware está adulterando pagamentos via Pix em tempo real em lojas virtuais brasileiras. Segundo informações da matéria, 90 sites de comércio eletrônico foram infectados. A fraude foi confirmada pela empresa de cibersegurança Kaspersky após a descoberta do pesquisador independente conhecido como “eremit4”.

O código malicioso modifica o QR Code e o Pix Copia e Cola no momento em que o consumidor finaliza a compra. Com isso, o dinheiro é direcionado para contas controladas pelos criminosos, sem que a vítima perceba visualmente a alteração.

Como funciona o ataque

O malware atinge sites de comércio eletrônico que utilizam a plataforma Magento. Quando o consumidor escolhe o Pix como forma de pagamento, o script substitui o código legítimo por outro controlado pelos golpistas.

Como a alteração ocorre dentro do próprio site da loja, o consumidor não percebe nenhuma anormalidade durante o processo de pagamento. O pesquisador eremit4 classificou a operação como “o novo magecart brasileiro”, em referência a uma modalidade tradicional de fraude utilizada para roubar dados de cartões.

O mesmo malware também pode atuar quando o cliente escolhe o cartão de crédito. Nesse caso, os dados podem ser copiados para uma fraude posterior. O lojista recebe normalmente o pagamento, enquanto o consumidor fica exposto à clonagem do cartão.

Segundo Fabio Assolini, diretor do time de investigação da Kaspersky na América Latina, o fato de o criminoso infectar o site, e não o computador da vítima, amplia o potencial de impacto da ameaça, podendo atingir todos os clientes que realizarem compras na página comprometida.

Recuperação do dinheiro depende de ação rápida

Identificar a fraude rapidamente é fundamental para aumentar as chances de recuperação dos valores. O Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix permite rastrear a transação por até cinco transferências, segundo o alerta de Assolini.

Os criminosos, porém, podem distribuir o dinheiro entre dezenas de contas laranja em poucas horas, dificultando a recuperação dos recursos. Embora o consumidor tenha até 80 dias para solicitar o MED, o Banco Central recomenda registrar a contestação mesmo quando não há garantia de devolução.

O procedimento também auxilia as instituições financeiras na identificação das contas utilizadas nas fraudes. Durante a apuração, as contas envolvidas podem ser bloqueadas por até 11 dias. A eventual devolução depende da existência de saldo e da análise das instituições financeiras.

Cuidados para evitar o golpe

Como a adulteração do pagamento não apresenta sinais visuais aparentes, a conferência dos dados antes da autorização da transferência é uma das principais formas de proteção.

  • Confira o destinatário: verifique o nome e o CNPJ apresentados pelo aplicativo do banco antes de confirmar o Pix. Em lojas pequenas, a conta pode estar registrada em nome do proprietário.
  • Use cartão virtual: nas compras com cartão, prefira uma versão virtual temporária. Os dados podem expirar após a transação, reduzindo o risco de clonagem.
  • Aja rapidamente: ao perceber um possível desvio, procure imediatamente o banco, registre a fraude e solicite o MED.
  • Mantenha o antivírus ativo: o software pode ajudar a identificar atividades suspeitas relacionadas ao código malicioso.

Quem identificar um Pix fraudulento deve acessar a área do Pix no aplicativo do banco, selecionar a opção “Contestar Pix” e informar que se trata de golpe ou fraude.

Lojistas também precisam reforçar a segurança

Comerciantes afetados pelo malware relataram aumento na desistência de compras. Alguns passaram a informar o CNPJ e o nome da empresa para permitir que os clientes confiram o destinatário do Pix. Outros adotaram plataformas de pagamento terceirizadas.

Para reduzir o risco de novas infecções, a Kaspersky recomenda manter a plataforma Magento atualizada, utilizar senhas únicas e complexas para acessar a administração do site e realizar monitoramento recorrente com software de qualidade.

O código responsável pelo ataque pode aparecer em trechos ofuscados, o que dificulta a identificação do comportamento malicioso. Além de adulterar pagamentos via Pix, a ameaça também pode roubar dados de cartões quando essa modalidade de pagamento é escolhida.

Com informações do Olhar Digital