Curiosidades

Brincadeiras ao ar livre podem melhorar a saúde física e mental das crianças, aponta estudo

Foto: Magnific/Imagem ilustrativa

Correr ao ar livre, andar de bicicleta, subir em árvores e participar de outras brincadeiras aventureiras podem trazer benefícios importantes para a saúde física e mental das crianças. Uma análise conduzida pela Universidade de Exeter (UoE), na Inglaterra, em parceria com a Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, aponta que essas atividades favorecem o desenvolvimento de habilidades sociais e cognitivas, além de contribuir para o bem-estar infantil.

O estudo também destaca os benefícios da mobilidade independente, caracterizada pela capacidade de as crianças saírem para brincar sem a supervisão direta dos pais. Segundo os pesquisadores, essa liberdade está associada a níveis mais elevados de atividade física e, consequentemente, à redução do tempo diante de telas.

Publicada na revista científica PLOS One na segunda-feira (26), a análise reuniu informações de crianças com idades entre três e 12 anos, com base em 74 estudos realizados em diferentes partes do mundo.

O objetivo foi investigar a relação entre brincadeiras arriscadas e aventureiras e possíveis resultados positivos para a saúde e o desenvolvimento infantil.

Para isso, os pesquisadores avaliaram diferentes aspectos, incluindo saúde física, saúde mental e bem-estar, agressividade, habilidades sociais e cognitivas, competência para lidar com riscos e ocorrência de lesões.

Os resultados reforçam a importância das experiências ao ar livre e das brincadeiras que permitem às crianças explorar o ambiente, avaliar situações e desenvolver suas próprias habilidades.

A professora Helen Dodd, diretora do Centro de Pesquisa sobre Brincadeiras ao Ar Livre da Universidade de Exeter, ressalta que garantir a segurança das crianças é fundamental. No entanto, segundo ela, a superproteção, quando impede os pequenos de explorar situações que envolvam determinados riscos, pode prejudicar oportunidades importantes de aprendizagem.

Em comunicado, a pesquisadora afirmou que privar as crianças de brincadeiras que eram consideradas naturais pelas gerações anteriores pode limitar experiências essenciais para a saúde e o desenvolvimento infantil.

A especialista também enfatiza a necessidade de encontrar um equilíbrio entre proteger os pequenos e permitir que conduzam suas próprias brincadeiras, tomem decisões e cometam erros durante o processo de aprendizagem.

A proposta não é eliminar os cuidados necessários, mas reconhecer que experiências desafiadoras podem contribuir para o desenvolvimento de competências importantes ao longo da infância.

Quais brincadeiras aventureiras são recomendadas?

De acordo com as conclusões apresentadas no estudo, brincadeiras que envolvem movimento, exploração e desafios podem fazer parte das experiências infantis, desde que sejam observados os cuidados necessários para reduzir perigos.

Entre os exemplos estão:

  • Correr em alta velocidade e descer ladeiras;
  • Andar de bicicleta;
  • Subir em árvores;
  • Brincar na água de um riacho, com os devidos cuidados;
  • Participar de lutas de mentirinha;
  • Explorar ambientes e vivenciar situações em que a criança possa se afastar e se sentir temporariamente perdida, dentro de condições seguras;
  • Participar de atividades mais agitadas e enfrentar desafios que envolvam elementos potencialmente perigosos, com precauções adequadas.

Essas experiências podem ajudar as crianças a reconhecer limites, avaliar riscos e desenvolver habilidades físicas, sociais e cognitivas. A orientação é permitir a exploração de maneira compatível com a segurança de cada situação, sem impedir desnecessariamente a autonomia infantil.

A análise das universidades de Exeter e da Colúmbia Britânica reforça a importância das brincadeiras ao ar livre e da mobilidade independente para o desenvolvimento infantil. Além de estimular a atividade física e contribuir para a redução do tempo diante de telas, essas experiências oferecem oportunidades para o aprendizado social e cognitivo.

A principal recomendação é equilibrar a proteção com a liberdade de explorar, permitindo que as crianças assumam desafios adequados e aprendam com suas próprias experiências. Dessa forma, as brincadeiras aventureiras podem integrar uma rotina que favoreça a saúde, o bem-estar e o desenvolvimento durante a infância.

 

Com informações do Metrópoles