Artigos

A desunião faz a força?

Ouvindo a canção “O Exército de Um Homem Só”, dos inesquecíveis Engenheiros do Hawaii, não sei por quais motivos, fiquei a relembrar sobre alguns episódios que ocorreram nas últimas reuniões do Legislativo formiguense.
É ali naquele espaço público que eu (editor) acompanho as reuniões há décadas e onde, certamente, tenho sido mais assíduo que alguns edis (não é pretensão), observei que nas últimas semanas o clima por lá variou, repentina e repetidamente, do estado de tempo bom com céu azul a instável com ocorrência de chuvas, vendavais e grande emissão de raios que, precedidos das retumbantes trovoadas, fizeram a Casa tremer.
E este fenômeno, foi notado, em especial, a partir do momento em que o vereador Sidney Ferreira/PDT assumiu o papel de opositor ao governo e a tantos quantos dele tenham discordado, ao se postarem na defesa de projetos que, para ele são ou eram contrários aos interesses da coletividade. E para tanto, se valia de documentos e falas compiladas sobre o assunto em pauta, defendendo suas teses.
Até aí, tudo bem, posições antagônicas fazem parte do jogo democrático, em especial nas casas legislativas. Excluídas da análise, as farpas atiradas ao léu pelas partes, inclusive aquelas eivadas de conotação pessoal e das quais alguns se valeram para escapar do enquadramento na categoria de seguidores da “velha política”, a que foi adotada como “mote” pelo vereador em questão, é preciso aqui reconhecer que, de tudo o que ali tem sido dito e certamente ainda se dirá, restou algo que esperamos seja positivo e benéfico para esta cidade: o milagre se deu e assistimos o surgimento de uma “aparente união” de antigos desafetos. Hoje eles já se elogiam e em coro uníssono e cuidadosamente ensaiado, não se cansam de trocar amabilidades, enaltecendo a todo instante a nova postura e forma de agir. Relembram e elogiam o resultado positivo de lutas vencidas por este ou aquele, ainda que no passado elas mesmas tenham sido objeto de ferrenhas lutas entre os que agora se somam.
Chegam a ser teatrais algumas intervenções! Mas, “político bom” tem sim que ser artista, senão o exemplo do velho Tancredo, não vale.
Ocorre que, aos olhos dos eleitores, segundo se depreende das críticas e observações emanadas das redes sociais, este novo comportamento adotado por alguns, é um sinal claro de que, brevemente, naquela Casa, estarão formados no máximo dois grupos que eles acreditam, viabilizarão em outubro de 2020, o retorno de muitos deles ao poder. E aos do baixo clero, os que por qualquer razão, não obtiverem os votos necessários para ali se manterem, os “cabeças de chapa” acenam com a possibilidade da garantia de uma “vaguinha” na administração pública, o que todo mundo sabe, neste país, é a forma tradicional de se obter o apoio indispensável para a reeleição e é o que tem vigorado até então.
Este fenômeno, a união de antigos desafetos na política, tem se mostrado como arma de defesa da “classe/categoria”, também em muitas outras cidades e nas mais variadas versões.
Esta semana, a cidade de Arcos nos deu exemplo disto, quando numa jogada que poucos nela acreditaram, o prefeito Denilson Teixieira e os atuais componentes da Câmara passaram a ocupar espaço na mídia nacional, simplesmente pelo fato de haverem reduzido em até 80%, não os seus próprios salários, mas os daqueles que eles hoje imaginam que estarão ocupando as cadeiras do Executivo e do Legislativo em 2021.
Jogada de mestre segundo alguns e no entender de outros, algo que se assemelha a um enorme chute no escuro, mas que na prática, tem se transformado numa receita que está sendo difundida e incensada por grande parte da mídia e certamente será replicada em outras cidades.
A quem ela interessa? E se por acaso os atuais mandatos vierem a ser prorrogados, a lei será mesmo aplicada? Eis a questão!
Hoje lá na esfera estadual, o complemento dos salários baixos do alto clero, se dá por meio da participação da mesma turma na condição de conselheiros dos muitos penduricalhos estatais. E no município, como se dará a compensação?