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E por falar em eletrônica… Matemático que cunhou o termo Inteligência Artificial desenvolveu a linguagem LISP e marcou a história da computação

Imagem ilustrativa/IA

Em 31 de agosto de 1955, um jovem professor de Dartmouth apresentou a proposta de um workshop de verão para investigar “como fazer máquinas que usam linguagem, formam abstrações e conceitos, resolvem problemas para os quais são destinadas”. Para definir essa ideia, ele cunhou o termo “Inteligência Artificial”. Três anos depois, desenvolveria o LISP, linguagem de programação que tornou essa visão viável.

LISP, sigla para “List Processing”, introduziu uma inovação técnica ao tratar programas e dados como listas entre parênteses, permitindo que o código fosse manipulado da mesma forma que os dados. Essa característica possibilitava que um programa se modificasse ou até mesmo se reescrevesse, conceito considerado revolucionário em 1958.

A linguagem foi baseada no cálculo lambda de Alonzo Church e nas funções recursivas. Sua primeira implementação foi executada no IBM 704, no inverno de 1958, consolidando um novo paradigma para o desenvolvimento de software.

John McCarthy desenvolveu o LISP enquanto atuava no MIT. A linguagem rapidamente passou a ser a preferida da comunidade de Inteligência Artificial em razão de sua expressividade e flexibilidade. Entre as contribuições introduzidas pelo LISP estão a coleta automática de lixo (garbage collection), as funções de alta ordem, a recursão e o REPL (Read-Eval-Print Loop), recursos que permitem a programação de forma interativa.

Embora tenha sido criada há décadas, a linguagem permanece relevante. Dialetos como Common Lisp, Scheme e Clojure continuam em uso em ambientes de produção. A possibilidade de manipular código como dados também viabilizou a criação de macros avançadas e permitiu a evolução da própria linguagem ao longo do tempo. O conceito de “software que escreve software”, amplamente discutido atualmente, tem suas origens nessa abordagem.

O reconhecimento pelo trabalho de John McCarthy veio em 1971, quando recebeu o Prêmio Turing por suas contribuições à computação. Além de criar o termo “Inteligência Artificial”, o matemático desenvolveu uma linguagem que forneceu a base técnica para sua evolução, deixando um legado que continua influenciando a computação e o desenvolvimento de sistemas inteligentes.

 

Alexandre Bertozzi-Engenheiro eletricista e professor universitário. [email protected]