Formiga

A maior arquibancada do Brasil

O slogan de uma campanha publicitária nunca surtiu tanto efeito social nos últimos tempos no país, mesmo que a intenção inicial não fosse a de levar o povo para as ruas para manifestar, mas sim fazer festa com o futebol, paixão mais importante entre as menos importantes do povo brasileiro. A verdade é que o povo cansou de sofrer e vê nos gastos excessivos para a Copa do Mundo uma gota d?água que desemboca em impostos mais caros, aumento de tarifas e subida da inflação. Sem falar que tudo isso tem refletido nas péssimas condições oferecidas em áreas como saúde e segurança pública, o principal combo que forma nosso calcanhar de Aquiles. O custo oficial da Copa de 2014 subiu 9,7% e já atingiu a marca de R$28 bilhões. A informação é do secretário executivo do Ministério do Esporte, Luis Fernandes, que explicou que a revisão do número oficial será feita após a Copa das Confederações, o que deve ocorrer no início de julho. Na última atualização, em abril de 2013, o balanço oficial apontava R$25,5 bilhões.
E se essa grana dos estádios…
…fosse investida nas mazelas da nossa sociedade? Os números e co-relação com investimentos em nossos pontos fracos são absurdos. Estima-se que o governo já tenha gastado mais de R$ 7 bilhões apenas com a reforma e construção dos estádios, um aumento de 163% em relação à estimativa de seis anos atrás, quando o Brasil oficializou sua candidatura. Com essa grana toda, seria possível, por exemplo, comprar mais de 20 milhões de netbooks para destiná-los às instituições de ensino. Seria possível também pavimentar cerca de 11 mil quilômetros de rodovias, construir mais de 120 hospitais de alto porte como o Evandro Freire (inaugurado no Rio de Janeiro no início deste ano), erguer cerca de 2.800 creches que atenderiam mais de 700 mil crianças, construir 125 novos presídios ou adquirir 640 mil novas viaturas de polícia. É mole?
O que fala (ou tenta) o governo
O secretário executivo do Ministério dos Esportes, Luis Fernandes, tentou defender os recursos abusivos destinados para a competição (que devem chegar a R$ 33 bilhões) porque entende que eles se revertem em desenvolvimento para o país. ?Não há contradição entre os investimentos sociais e os investimentos que estamos fazendo para a Copa do Mundo. É muito mais fácil negociar recursos para ciência, tecnologia e educação com a Copa. A facilidade que temos para estruturar programas de educação é única. Ou aproveitamos ou perdemos. É uma oportunidade histórica. Há apoio disseminado na população brasileira pela Copa do Mundo. Não há disseminada oposição à Copa. Há setores que estão desinformados sobre a Copa. A Copa é uma oportunidade para investimento. São investimentos em infraestrutura e em serviços para melhorar a vida dos brasileiros?, justificou.
Nas ruas
O fato é que, se tem um lado bom nisso tudo, é que o povo acordou. Centenas de milhares de pessoas foram para as ruas nesta semana soltar seu grito de protesto. Saiu até música legal: ?Era uma casa muito engraçada, não tinha escola, só tinha estádio. Da Copa abrimos mão, queremos dinheiro para saúde e educação. Brasil, vamos acordar, o professor vale mais do que o Neymar?. Infelizmente, para o governo não…