Popular na Região Norte, o açaí e sua polpa tornaram-se presença notória em cardápios de lanchonetes no restante do país como um delicioso alimento energético, que é vendido congelado em forma de creme nos estabelecimentos. E é essa forma resfriada do alimento que carrega um perigo que muitas vezes passa despercebido: o protozoário Trypanosoma cruzi, transmissor da doença de chagas.
Após serem registrados 226 casos da doença no Brasil, somente no ano passado, pesquisadores da Unicamp elaboraram uma pesquisa sobre a eliminação do transmissor no alimento. Segundo os dados, somente a pasteurização – tratamento térmico que envolve aquecimento e rápido resfriamento – do alimento é capaz de combater o Trypanossoma cruzi uma vez que ele sobrevive a temperaturas de -20ºC (ambientação comum de um freezer doméstico e utilizado em processos industriais).
Para se chegar aos dados, uma cepa do protozoário foi utilizada para contaminar a polpa do fruto. Logo após, a polpa foi separada em processo de filtragem a fim de detectar a presença do transmissor. Ao final, foi observado que o Trypanossoma cruzi estava vivo nas diferentes temperaturas e que ainda era capaz de transmitir a doença de chagas. Os autores do trabalho destacaram que é necessário, além do método de pasteurização, higienizar corretamente os frutos.
Atualmente, a legislação brasileira não exige o método de pasteurização. Ainda assim, a maioria dos produtores possui máquinas para realizá-la devido à exigência do mercado externo, forte comprador da polpa do produto.

Comentários
COMPATILHAR: