As ações da Azul Linhas Aéreas lideraram as perdas na Bolsa de Valores do Brasil (B3) no pregão desta quarta-feira (7), após a companhia homologar uma oferta bilionária de ações. Os papéis da empresa registraram forte desvalorização, refletindo a reação negativa do mercado à operação anunciada na véspera.
Por volta das 15h35, no horário de Brasília, as ações da Azul apresentavam queda de 32,31%, sendo negociadas a R$ 378,30. O movimento de forte baixa foi atribuído à homologação de uma oferta de ações no valor de R$ 7,4 bilhões.
Na noite de terça-feira (6), a companhia que está em recuperação judicial nos Estados Unidos homologou a oferta de R$ 7,44 bilhões, que prevê a emissão de 723,8 bilhões de novas ações ordinárias e 723,8 bilhões de ações preferenciais. A oferta pública de distribuição consiste no processo de colocação de títulos e valores mobiliários junto ao público, envolvendo etapas como levantamento do interesse do mercado, divulgação de informações e período de subscrição.
Na prática, a operação tem como objetivo viabilizar a capitalização compulsória das dívidas da empresa, por meio da conversão de títulos emitidos no exterior em ações. Esse tipo de operação resulta na chamada diluição dos acionistas, que ocorre quando a emissão de novas ações reduz a participação percentual dos acionistas atuais, diminuindo seu poder de voto e a fatia nos lucros, ainda que o valor total da companhia possa aumentar.
A oferta de ações está inserida no processo de recuperação judicial da Azul nos Estados Unidos. Em 12 de dezembro, a empresa informou que a Justiça norte-americana aprovou seu plano de recuperação no âmbito do Chapter 11, mecanismo equivalente à recuperação judicial no Brasil. Segundo a companhia, a proposta obteve mais de 90% de aprovação em todas as classes de credores habilitados a votar.
O plano de reestruturação prevê uma redução superior a US$ 3 bilhões em dívidas, além de cortes em obrigações relacionadas a arrendamentos de aeronaves, despesas com juros anuais e custos recorrentes da frota. A empresa informou ainda que foram firmados acordos comerciais e realizadas alterações em contratos de leasing, medidas que ampliam a flexibilidade financeira no longo prazo e criam condições para um crescimento considerado sustentável após a saída do processo.
Outro ponto central da reestruturação é a previsão de uma oferta pública de ações que pode chegar a até US$ 950 milhões, envolvendo a conversão de créditos de determinados credores em participação acionária. A Azul ingressou com o pedido de recuperação judicial nos EUA no fim de maio, optando pela legislação norte-americana por considerá-la mais flexível e pelo fato de a maioria de seus credores ser estrangeira, com contratos regidos pelo foro do estado de Nova York. Segundo estimativas da própria companhia, a saída da recuperação judicial deve ocorrer já no início deste ano.
Com informações do Metrópoles







