A federação de partidos à esquerda, liderada pelo PT, embora ainda não tenha sido formalizada, trabalha para ter um candidato ao Senado Federal por Minas Gerais. O escolhido deve ser o deputado federal Reginaldo Lopes, líder petista na Câmara. O grupo, que não descarta se aliar a Alexandre Kalil (PSD) caso ele resolva disputar o governo estadual, vai levar à mesa de negociações o desejo de emplacar um nome na disputa pela terceira cadeira de senador.

Nessa segunda-feira (7), os presidentes dos diretórios mineiros de PT, PSB, PCdoB e PV se reuniram em Belo Horizonte para conversar sobre a construção da coalizão e debater as possibilidades nas disputas rumo ao Congresso Nacional e ao Palácio Tiradentes. Reginaldo Lopes também participou do encontro e, como tem feito nas conversas com os dirigentes, reiterou o desejo de tentar chegar ao Senado.

“Ele [Reginaldo] colocou sua disposição de ser candidato ao Senado pelo PT e pela federação, caso seja o entendimento desses partidos mais adiante. Se a federação for dialogar no sentido da aliança ampla, inclusive de apoio a Kalil, essa seria uma das questões colocadas na negociação. É uma forma de a federação participar [da chapa]”, diz o deputado estadual Cristiano Silveira, presidente do PT mineiro.

Em meio à hipótese de sair do PT o candidato ao Senado pela eventual chapa de Kalil, está Alexandre Silveira, presidente estadual do PSD e recém-empossado parlamentar na vaga do correligionário Antonio Anastasia, agora ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).

Silveira quer tentar a reeleição e a cúpula pessedista em Minas espera que ele seja o nome escolhido para compor o palanque com o prefeito de Belo Horizonte e, eventualmente, Luiz Inácio Lula da Silva, que quer voltar à presidência da República.

Interlocutores ligados à possível federação entre PT-PSB-PCdoB-PV avaliam que Kalil tem sinalizado a intenção de se aproximar de Lula. Há quem acredite que, apenas com a eventual união, o prefeito seria capaz de diminuir a distância para o governador Romeu Zema (Novo).

“Há muito consenso de que a federação deveria ter um nome ao Senado. É o que sinto, pelo menos, nas reuniões que têm sido feitas”, afirma o presidente estadual do PCdoB, o ex-deputado federal Wadson Ribeiro.

Reginaldo crê em federação e projeta seminários por propostas


Reginaldo Lopes tem a simpatia de Lula e está na liderança do PT na Câmara desde o início deste ano. “Se depender de Minas, a federação estará consolidada: PT, PSB, PCdoB e PV”, pontua o parlamentar.

Segundo ele, o plano dos partidos é, mais à frente, iniciar rodadas de seminários para colher sugestões a fim de construir as propostas para o estado.”Queremos, agora, estabelecer um calendário de atividades, começando com a definição de nossos candidatos ao governo, a vice-governador e, também, ao Senado”, explica.

Em fevereiro, pesquisa da F5 Atualiza Dados, encomendada pelo jornal Estado de Minas, apontou que Reginaldo Lopes lidera a corrida ao Senado. Ele e o deputado estadual Cleitinho Azevedo, de saída do Cidadania, estão tecnicamente empatados. O petista tem 8,3% das intenções de voto; Cleitinho, 10,3%.

Petistas, comunistas, socialistas e verdes passaram a debater a atuação em bloco como forma de dar sustentação à candidatura de Lula à presidência. Embora o plano nacional seja prioridade, os dirigentes já começam a se preocupar com a montagem da chapa estadual.

“Não estamos só preocupados com a eleição do Lula e da bancada [de deputados] da federação”, explica o deputado federal Vilson da Fetaemg, presidente do PSB mineiro.

“As movimentações nacionais dão conta de que, hoje, esse palanque [em Minas] já está em vias de construção efetiva, o que muito nos alegra”, assegura Osvander Valadão, líder do PV. A sigla dele, aliás, abriga Agostinho Patrus, presidente da Assembleia Legislativa e um dos mais importantes atores do grupo político de Kalil.

Fonte: Estado de Minas

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