Política

Alta de preços no Nordeste pressiona economia e preocupa governo federal

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O aumento no custo de vida nas principais cidades do Nordeste tem se intensificado e já representa um desafio adicional para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Tradicional reduto eleitoral do petista, a região apresenta elevação mais acentuada em itens essenciais como alimentação, aluguel, combustíveis e gás de cozinha, conforme aponta levantamento oficial.

Dados indicam que, entre as dez capitais com maiores altas na cesta básica no país, seis estão no Nordeste. Embora o custo médio ainda seja mais elevado em São Paulo, onde a cesta chega a R$ 883,94, as capitais nordestinas registram aumentos mais intensos ao longo do ano.

No Recife, por exemplo, o valor da cesta básica atingiu R$ 654,62, com alta de 9,82% entre janeiro e março — quase o dobro da previsão de inflação anual de 4,86%, segundo o boletim Focus, do Banco Central. Em comparação, São Paulo registrou aumento médio de 4,49% no mesmo período, de acordo com o Dieese.

O feijão-carioca aparece como um dos principais responsáveis pela alta nos preços. Em Salvador, o produto acumula aumento de 27% no ano; em Teresina, 24,7%; no Recife, 24%; e, em Belém, quase 50%.

A elevação é explicada por uma combinação de fatores, como a redução da área plantada após queda de preços no ano anterior, problemas climáticos que afetaram a colheita e a ausência de alternativas de importação — diferentemente do feijão-preto.

Outros itens também contribuíram para o encarecimento da cesta básica, como carnes, farinha de mandioca e laticínios. No Recife, a carne subiu 5,39% neste ano. A farinha de mandioca teve alta de 4,38% na capital pernambucana e de 13% em Fortaleza.

Segundo Patrícia Costa, economista do Dieese, a alta está concentrada em poucos itens, mas de grande peso no orçamento das famílias. Ela ressalta ainda que os efeitos do aumento dos combustíveis sobre os alimentos ainda não haviam sido plenamente percebidos até março, mas podem se intensificar nos meses seguintes devido ao impacto no transporte.

O aumento no preço dos combustíveis também tem contribuído para a pressão inflacionária na região. Desde o início do conflito no Irã, no fim de fevereiro, o preço médio da gasolina no Nordeste subiu de R$ 6,28 para R$ 6,93 por litro, uma alta de 10,35%, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). O diesel teve aumento ainda mais expressivo, de 26,25%, sendo a maior variação entre as regiões do país.

Especialistas apontam que fatores estruturais explicam o impacto mais intenso no Nordeste. De acordo com Isadora Osterno, pesquisadora do Centro de Estudos para o Desenvolvimento do Nordeste, os custos logísticos e produtivos na região são mais elevados, o que faz com que choques externos, como aumento de combustíveis, tenham efeitos mais significativos.

Diante desse cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o lançamento de um novo programa de renegociação de dívidas, previsto para esta segunda-feira (4), como forma de mitigar os impactos econômicos sobre a população.

O movimento ocorre em um momento em que pesquisas indicam queda na aprovação do presidente no Nordeste, região historicamente favorável ao Partido dos Trabalhadores (PT), e considerada estratégica no contexto eleitoral.

O avanço dos preços de itens essenciais no Nordeste evidencia desafios econômicos relevantes para o governo federal. Com inflação mais intensa na região, especialmente em alimentos e combustíveis, o cenário pressiona o poder de compra da população e exige respostas rápidas para conter os impactos e equilibrar as condições econômicas no país.

Com informações da Folha de Pernambuco