Comentários supostamente machistas e homofóbicos feitos em sala de aula e na internet por dois professores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revoltaram dezenas de alunos da instituição, que iniciaram, na segunda-feira (21) uma campanha para afastar os docentes da universidade. Segundo o Diretório Central de Estudantes (DCE) da UFMG, os educadores teriam constrangido e humilhado vários alunos com comentários como: ?desafio alguém a mostrar aqui depoimento de algum pai aceitando seu filho gay?.
A opinião acima foi postada no dia 6, em uma rede social, pelo professor que leciona há mais de dez anos na UFMG. Porém, o estopim para a insatisfação dos alunos aconteceu no dia 10, durante uma aula do professor Francisco Coelho a alunos do 2º período de ciências sociais. Segundo os estudantes, uma aluna de 20 anos se sentiu ofendida com um comentário de Coelho.

?Ele usa os alunos para exemplificar a matéria. E nesse dia disse que a nossa colega era atraente e que se não houvesse uma relação de professor e aluno, ele gostaria de ficar na horizontal com ela?, contou a secretária do Centro Acadêmico de Ciências Sociais (Cacs), Fernanda Maia Caldeira.
Outros alunos relatam que a postura do professor, que leciona na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich), é recorrente. ?Ele sempre agiu assim. Ouvi uma vez ele dizer para uma aluna ficar calada porque ela não passava de uma costela. Eu nem consegui terminar a matéria dele, não ia à aula desse jeito?, disse o estudante de ciências sociais Tiago Lopes, 21.

Homofobia
Falta de vontade para ir à aula também é a sensação de alguns alunos do Instituto de Ciências Exatas (ICEx) da UFMG. Após várias postagens homofóbicas do professor Antônio Zumpano, publicadas no Facebook e em um blog pessoal dele, cerca de 50 alunos do curso de gestão pública realizaram um protesto pela saída do docente, que é pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e ex-membro da Comissão Permanente de Vestibular (Copeve) da instituição.

Para os estudantes, apesar do professor exprimir sua opinião apenas pela internet ? e não em sala de aula ? o Código de Ética da UFMG foi violado.

?Ele disse uma vez, quando uma aluna foi violentada aqui por um homem, que o machismo é uma virtude e que a estudante estava no lugar errado na hora ? sendo que ela tinha acabado de sair da aula. O nosso Código de Ética não permite violar a dignidade humana, e é isso que esse professor está fazendo?, disse a estudante Giselle Maia, diretora do Centro Acadêmico de Gestão Pública (CAGP) da UFMG.
Protesto
Alunos de ciências sociais e de outros cursos da UFMG vão organizar novos protestos contra os professores nesta semana. A intenção é pressionar a reitoria para demitir os docentes.

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