Formiga

Amazônia – Imagens que Dizem Tudo

O infindável blá-blá-blá sobre a preservação das florestas amazônicas não leva em conta inúmeros aspectos relevantes – entre os quais o fato de que 70% das áreas são de propriedade do próprio poder público. E, em particular, apela à imagem do paraíso perdido sem considerar que nelas vivem pessoas que já entraram na era da sociedade de consumo e querem mais – as tais classes D e E que passaram a C. Casas de caboclo com mais de um aparelho de televisão ligado o dia todo seria uma surpresa para um alemão?
Algumas imagens falam mais do que palavras. Em todas as cidades, pequenas, médias e mesmo grandes, há favelas e mercados sobre palafitas. As fotos foram tiradas em Manacaparu, às margens do Rio Solimões.
Saneamento? Coleta de lixo? Um mínimo de qualidade de vida para a população local? Esses não parecem ser temas relevantes para os protetores incondicionais da floresta, brasileiros ou estrangeiros, Marinas Silvas e Greenpeaces, entre outros. Será que o ministro do meio ambiente da Alemanha que recentemente andou por lá discutindo a preservação da floresta viu isso?Afinal, por que será que essas pessoas insistem em viver assim, se é tão fácil praticar o ?extrativismo?? Extrativismo, uma parte da luta de Chico Mendes para defender os ?povos da floresta? sempre ameaçados por grileiros por não terem a propriedade das áreas em que trabalhavam, onde ganhavam o seu ?pão?, deixou de ser um símbolo e passou a ser uma realidade, uma proposta de governo. Nos dias de hoje, ninguém vive apenas de ?extrativismo? – isto é, de extrair produtos da floresta. Nem os esquimós vivem mais sóde caça e pesca! As pessoas precisam de assistência médica, de educação, e querem ter acesso aos tais modernos meios de comunicação?. que induzem a outros anseios.Na região, os cidadãos mais pobres falam em hepatite B como de uma gripe. O catador de açaí comenta que já está na fila do transplante de fígado, como se a fila pudesse andar, ainda que, na maior parte do tempo, ele não disponha de qualquer sistema de comunicação confiável. As condições sanitárias não são mostradas à comunidade internacional, que tanto fala na proteção da Amazônia. E essas informações também não são mostradas aos brasileiros. Afinal, para esses ?ambientalistas? ou ?verdes? do tapetão, a limpeza do peixe com a água do rio no próprio local onde são lançados os esgotos talvez seja vista como uma parte da ?tradição cultural?, algo bucólico.