De todos os pré-candidatos a presidente da República nas eleições de 2022 o único que desejo que perca é Jair Bolsonaro. Merece ser derrotado por seus próprios erros, pelas palavras impensadas e cruéis, pela insensibilidade com o sofrimento do seu povo.

Os outros principais candidatos não são perfeitos e demonstram a heterogeneidade da sociedade brasileira.

As pesquisas indicam a liderança de Lula na corrida para a presidência, mas as eleições se decidem no voto e muita coisa acontecerá até o dia das eleições.

O ex-presidente Lula, do Partido dos Trabalhadores (PT), tem a intenção de ter em sua chapa, como vice, o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, como um aceno para o mercado, mas é uma união entre dois políticos que não trará a pacificação do país. Essa chapa será diferente de 2002, onde tivemos a união entre trabalho e empresariado, com a chapa Lula e José de Alencar.

Entre as novidades, Lula aponta a possibilidade de revisão ou revogação da Reforma Trabalhista do Governo de Michel Temer, mas, caso Lula vença, optará por manter a governabilidade e deverá, no máximo, atualizá-la. O objetivo imediato dessa proposta é acenar para o meio sindical a volta da obrigatoriedade do imposto sindical e, com isso, conseguir o apoio do aparato sindical na campanha eleitoral de 2022.

Durante o governo de Jair Bolsonaro, o PT não exerceu uma forte oposição. Dessa forma, mostrou ter perdido muito de sua indignação existente antes de 2002, quando Lula venceu a sua primeira eleição para presidente da República, e desde então perdeu a oportunidade de renovar suas lideranças.

Outro candidato é Ciro Gomes. Ele tem propostas interessantes, como o incentivo e o planejamento do desenvolvimento brasileiro, com estímulo para a reindustrialização e tecnologia, para tornar o país um protagonista mundial, retirando a economia da letargia e da dependência de importações de produtos manufaturados.

Sergio Moro vem com propostas para criação de uma corte especializada no julgamento de casos de corrupção e de reforma do sistema judiciário, mas ele não tem credenciais para executar essas propostas após sua trajetória como juiz, por ter sido julgado suspeito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos julgamentos do ex-presidente Lula, e ter ferido uma das vigas mestras da justiça brasileira, a imparcialidade.

Um candidato que pode surpreender, por seu histórico em campanhas eleitorais, é João Dória. Traz em seu currículo um desempenho heróico na vacinação contra o coronavírus, quando tomou a frente na vacinação e obrigou o governo federal a sair da inatividade e adquirir vacinas. Quando governador de São Paulo trouxe o desenvolvimento para o Estado. Dória não pode ser subestimado, pois em São Paulo venceu as eleições para prefeito da capital e governador, após seus próprios pares duvidarem de sua vitória.

Euler Antônio Vespúcio – advogado tributarista

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