Formiga

As grandes perdas da literatura brasileira em 2014

Neste ano, a literatura brasileira teve perdas irreparáveis. Em um único mês, tivemos de nos despedir de João Ubaldo Ribeiro, Rubem Alves e Ariano Suassuna, três grandes referências literárias de várias gerações.
O primeiro a nos deixar foi João Ubaldo Ribeiro, falecido no dia 18 de julho, aos 73 anos, vítima de embolia pulmonar. João Ubaldo, baiano, irreverente e muitas vezes irônico nas críticas que inseriu em suas obras, era membro da Academia Brasileira de Letras e vencedor de dois prêmios Jabuti, com ?Sargento Getúlio?, em 1972, e ?Viva o povo brasileiro?, em 1985. Uma de suas obras mais recentes, ?A casa dos budas ditosos?, teve amplo destaque por conta da polêmica que gerou: fala de uma senhora na casa dos 70 anos que divide com o leitor suas memórias de experiências sexuais sem qualquer pudor. Foi adaptada para o teatro em forma de monólogo interpretado por Fernanda Torres até 2013.
Em seguida, no dia 19, Rubem Alves se foi, aos 80 anos, vítima de uma pneumonia. Mineiro, teólogo, filósofo, educador; a formação multidisciplinar de Rubem Alves lhe permitiu transitar em suas obras pelos mais profundos conhecimentos humanos. Sempre em linguagem direta, investigou a natureza humana em suas diversas formas e peculiaridades. Sua vasta bibliografia inclui contos e crônicas, livros infantis, teologia, reflexões filosóficas sobre educação e ciência, monografias e teses acadêmicas. Radicou-se em Campinas, onde se tornou cidadão honorário, professor emérito da Unicamp e criador de diversos grupos de pesquisa e discussão literária.
Como se não bastasse tamanha perda, no dia 23 do mesmo mês Ariano Suassuna se juntou a João Ubaldo e Rubem Alves. Com 87 anos Suassuna foi vítima de uma parada cardíaca, após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). Ariano Suassuna, paraibano, além de escritor e poeta, era advogado e, por que não?, comediante. Ávido defensor da cultura brasileira, principalmente do Nordeste, fez desse o cenário da maioria de suas obras. A mais famosa delas, ?O auto da Compadecida?, virou filme e série de TV e foi traduzida para o inglês, espanhol, holandês, francês e alemão. Teve, também, participação política no estado que o acolheu na adolescência: foi secretário de Cultura de Pernambuco nos governos de Miguel Arraes e Eduardo Campos. As Academias Literárias todas o queriam: era membro da ABL, da Academia Pernambucana de Letras e Academia Paraibana de Letras.
No dia 13 de novembro Manoel de Barros completou a nova constelação que se formou no céu. O escritor cuiabano morreu aos 97 anos de falência múltipla dos órgãos. Ganhou dois prêmios Jabutis por ?O guardador de águas?, em 1989, e ?O fazedor do amanhecer?, em 2002 e teve livros publicados em Portugal, França, Espanha e Estados Unidos. Em 1998, recebeu o Prêmio Nacional de Literatura do Ministério da Cultura, pelo conjunto do seu trabalho.
Além de perdermos algumas de nossas maiores referências literárias, sofremos também com a perda do escritor colombiano Gabriel Garcia Marquez. Falecido aos 87 anos no dia 17 de abril Gabo, como era conhecido, foi o primeiro colombiano e quarto latino-americano ganhador do Nobel de Literatura, em 1982.
Mas como escreveu Rubem Alves: A morte e a vida não são contrárias. São irmãs. A ?reverência pela vida? exige que sejamos sábios para permitir que a morte chegue quando a vida deseja ir.

Com informações do portal Estude Atualidades.