Apesar de manchetes locais noticiarem que a situação do atendimento do Pronto Atendimento Municipal (PAM) está normalizado desde a tarde de quarta-feira (9), a realidade é bem outra.
Segundo o contrato firmado entre a Prefeitura e a Santa Casa, os plantões de atendimento devem contar com dois médicos, mas, na prática, o que se vê é que apenas um profissional pode ser encontrado por lá, e só atende os casos que são considerados como sendo emergenciais.
A população só dispõe de atendimento médico nos postos de saúde por um período de 4 horas diárias e pacientes que moram em áreas em que unidades básicas não contam com esse profissional, ficam dependentes do atendimento no PAM.
Esta semana, mesmo após ser noticiado o fim da ?operação tartaruga? que há mais de mês estava implantada no atendimento do PAM, quando foi feito o pagamento antecipado de parcelas que a Prefeitura fez à Santa Casa para regularizar o atendimento, a Polícia Militar e órgãos de imprensa ainda foram acionados por diversas vezes para registrarem a recusa de atendimento, por parte de profissionais que estiveram de plantão no PAM.
O interessante é que alguns atendimentos que eles mesmos recusaram a atender, alegando não se enquadrarem com sendo ?de urgência ou emergência?, após a interferência de órgãos da imprensa, de vereadores membros da Comissão de Saúde da Câmara ou com a simples presença da PM, foram atendidos e resultaram em internação dos pacientes que, logo a seguir, foram submetidos a exames outros e houve até casos de encaminhamento a cirurgia.
Pergunta-se: Estes casos exigiam atendimento imediato (urgente) ou não? A quem caberia esta definição, ao plantonista que todos sabem, algumas vezes se desdobram ali por 24 ou 48 horas, e como ser humano também precisa descansar? E a contratada ou a contratante, tem fiscalizado este absurdo estado de coisas que na ponta final coloca em risco a vida humana? É a isto que se chama de poder público, aquele que tem por obrigação tutelar e garantir atendimento a todos? E o Conselho Regional de Medicina e outras entidades como associações e sindicatos o que dizem de tudo isto? O tal juramento de Hipócrates é mesmo para valer?
A verdade é que a coisa está tão crítica que segundo foi apurado, a própria secretária de Saúde oficiou a Santa Casa, exigindo a substituição de um doutor que ultimamente, acumulava plantões diários no PAM.
Na madrugada dessa sexta-feira (11), uma senhora de 76 anos, teve o atendimento recusado pelo médico que se encontrava no plantão. A PM foi solicitada a comparecer no local, porém, segundo informou o filho que a acompanhava, ouviu dos militares a informação de que não mais compareceriam ali, uma vez que nos últimos dias fatos como aquele que lhes era relatado, se repetindo ?n? vezes. Como era noite e o Posto de Atendimento da PM no Terminal Rodoviário não funcionava, o bate boca se acalorou entre parentes da paciente e o atendimento no hospital e aí, a PM a pedido do medico compareceu no local.
Segundo informou Toninho, (Antônio Pedro da Silveira ? Rua Filó Bento, 295 ? bairro Cel Balbino), sua mãe (D. Conceição) que não foi atendida pela madrugada, por volta das 11h, desta sexta-feira (11) ? depois de passar muitas horas com fortes dores abdominais, se encontrava internada na Santa Casa, sendo submetida a uma série de exames (inclusive tomografia), sendo preparada, provavelmente para passar por uma cirurgia.
Ele pergunta: Será que o caso dela não era de urgência? E uma senhora de 74 anos, se contorcendo de dores, precisa mesmo ser submetida a este tratamento ?VIP? que é dispensado aos que dependem daquele PAM? Aquilo lá é ou não um Pronto Atendimento? E o SUS, é universal ou não?
Estas perguntas foram repassadas ao secretário de Comunicação da Prefeitura, Flávio Roberto Pinto, que enviou ao jornal a seguinte nota:
?A Prefeitura de Formiga pagou as últimas parcelas referentes a esse serviço antes do vencimento previsto em contrato e exige por parte da prestadora de serviço e de seus profissionais um atendimento digno à população. A Secretaria de Saúde repudia qualquer tratamento que contrarie essa orientação e vai intensificar ainda mais a fiscalização no Pronto-Atendimento Municipal (PAM). A secretaria continuará descontando dos pagamentos as horas não trabalhadas pelos médicos. Apenas em maio foram R$ 11 mil. Se necessário, será exigida da prestadora de serviços a substituição dos profissionais. A Administração Municipal está do lado dos formiguenses e continuará cobrando e tomando todas as medidas cabíveis para garantir um atendimento de qualidade.

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