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Atingidos na Tragédia de Mariana voltam a cobrar participação nas negociações

Em mais uma audiência no Conselho Nacional de Justiça, atingidos pela Tragédia de Mariana voltaram a reclamar de falta de participação no processo de reparação pelo rompimento da barragem de Fundão, em 2015, que deixou 19 mortos e destruiu o Rio Doce.

Entre os relatos, é comum encontrar quem se diz prejudicado e sequer ouvido no processo. É o caso de Rosa Souza dos Santos, moradora de Santa Cruz do Escalvado, na Zona da Mata. Ela diz que foi muito impactada com o rompimento da barragem, mas não conseguiu ser ouvida, por mais que tentasse.

“Eu preciso tomar clonazepam para dormir à noite, porque eu deito e não consigo dormir por pensar que eu tinha um rio, onde eu tirava o sustento da minha família e hoje a gente não pode mais”, afirmou.

Pescador em Resplendor, na região do Rio Doce, Renato Correia de Oliveira, reclama da falta de auxílio para pescadores, além de uma pressão para aceitar um benefício através de um cartão, sem negociação. “Não foi criado nenhum valor para os pescadores profissionais. A Renova não criou um programa para o pescador, e o rio está todo poluído”, lamentou.

Coordenador do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Pesada de Minas, Eduardo Armond também apresentou a demanda dos profissionais da área que, segundo ele, não têm abertura para negociação de seus direitos.

“Ao longo desses anos todos do rompimento, buscamos justiça para os trabalhadores que estavam no ambiente da barragem no dia do rompimento. Tentamos através do Ministério do Trabalho uma negociação com a Samarco, Vale e BHP Billiton. Nunca abriram nenhum canal de comunicação”, reclama.

Carlos Bruno Ferreira Silva, procurador da República e chefe da Força Tarefa Rio Doce do Ministério Público Federal, afirmou que está confiante em uma repactuação mais favorável aos atingidos e disse é preciso que as empresas firmem um compromisso histórico de reparação de todos os males causados.

“Tivemos duas reuniões presenciais relativas a repactuação, e caminhamos, na minha opinião, ainda lentamente, mas ao menos — quero ser otimista — com passos sólidos. Vários temas foram abordados. Apresentaram-se alguns consensos. Espero que todas as mensagens expostas cheguem aos acionistas e às direções das empresas”, afirmou.

Uma nova reunião do CNJ para discutir a repactuação relacionada ao rompimento da barragem de Fundão deve ser realizada na próxima semana em Vitória, de forma presencial.

Em nota, a Fundação Renova nega falta de diálogo com as comunidades atingidas e afirma que as ações de engajamento são fundamentais para a construção de um caminho conjunto. 

A Fundação diz ainda que não é parte do processo de repactuação que está sendo discutido no âmbito do Conselho Nacional de Justiça e reafirma o compromisso com o trabalho de reparação dos danos provocados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana. 

Fonte: Itatiaia