Os noruegueses recomeçam meio hesitantes, ainda muito chocados, a rotina do dia a dia. Seria um exagero dizer que é uma volta à normalidade. Ainda falta muito pra isso.
A multidão nas ruas, as velas e flores, tantas lágrimas e homenagens, tudo demonstrou uma total repugnância em relação aos atos e ideias de Anders Breivik.
Agora o país e a Europa deram início a um exame de como isso pôde acontecer e de onde veio tal extremismo. Não vão ter que procurar muito. O ódio aos imigrantes, em particular contra os muçulmanos, tem sido uma bandeira de partidos de extrema direita há muito tempo.
Hoje esses partidos estão presentes na vida política de todos os países da Europa. Em alguns, como na Noruega, com mais de 20% dos votos. Para se acomodar a um debate mais radical e mais intolerante, partidos mais moderados de direita, passaram também a colocar em suas agendas esses temas numa linguagem bem mais dura contra estrangeiros.
Os líderes atuais da França, Alemanha, Inglaterra e Itália são exemplos disso. Os mais pobres e os não brancos passaram à condição de indesejados, de bode expiatório de problemas como o desemprego. Racismo e menos boa vontade de um lado, mais dificuldade de integração do outro e a receita para um desastre tem todos os ingredientes na mesa.
Anders Breivik é o produto extremo desse terreno fértil onde essas ideias circulam com graus diferentes de radicalismo. O pior está na internet, onde ele colocou suas ideias num manifesto de 1500 páginas em que até o Brasil é citado. Breivik escreveu que a mistura de raças foi uma catástrofe para o país, que resultou em corrupção, baixa produtividade e conflitos entre as diferentes culturas.
A ignorância racista, o extremismo fundamentalista cristão de Breivik e os crimes que ele cometeu serão punidos. Normalmente na Noruega a pena máxima é de 21 anos de cadeia, mas estão estudando a possibilidade de acusá-lo por crimes contra a humanidade, que têm penas de 30 anos de prisão.
O advogado dele disse que acha que Breivik é louco. Mas essas idéias e essa loucura já produziram na Europa tragédias como o nazismo e a segunda guerra mundial.

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