Era mais uma chance de o Atlético reeditar as grandes apresentações de outrora, quando o time fazia do Independência um caldeirão para seus adversários. Jogando em casa contra um adversário que vinha de um jejum de sete jogos sem vitória no Campeonato Brasileiro, o Galo contava com o apoio de sua fanática torcida para somar os três pontos diante do Palmeiras. E o alvinegro não decepcionou. Com um futebol ofensivo e jogando em velocidade, o Galo venceu os paulistas por 2 a 1 e subiu para o sexto lugar na tabela.
A vitória em casa foi importante para o Atlético, que agora vai fazer dois jogos como visitante no Campeonato Brasileiro. No próximo domingo (17), em Florianópolis, contra o Figueirense, e na quarta-feira (20), no Rio de Janeiro, diante do Flamengo. Para o jogo no sul, o técnico Levir Culpi espera já contar com o zagueiro Rever e o volante Leandro Donizete, que estão se recuperando de contusão, mas pode perder o meia-atacante Guilherme, que deixou o campo com dores na coxa direita.
Vencer o Palmeiras era uma obrigação para o alvinegro, que vinha de um empate fora de casa com a Chapecoense e neste domingo teve o retorno do atacante Jô. Ele desfalcou o time contra os catarinenses por causa de problemas particulares. O técnico Levi Culpi, que nos últimos jogos foi chamado de burro pela torcida, também mexeu na zaga, com a entrada de Jemerson no lugar de Réver, contundido, e na lateral-esquerda, onde Pedro Botelho ganhou a vaga de Emerson Conceição.
Atraso de salários e premiação
Enquanto espera por uma resposta do Governo Federal para o refinanciamento de suas dívidas tributárias, o Atlético se vira para tentar manter os salários de seus jogadores em dia. Neste momento, o Galo deve dois meses de honorários aos atletas, além de metade da premiação prometida pela conquista da Copa Libertadores 2013.
O diretor de futebol, Eduardo Maluf, admite tais fatos e faz algumas ponderações, deixando claro que não existe nenhum alarde entre os jogadores em relação aos atrasos. O dirigente garante ainda que o mês de junho, que venceu na última semana, será pago na próxima segunda, faltando o salário de julho a ser quitado no restante de agosto.
?Não vejo o motivo de esconder. Explicamos para eles e eles entenderam. A maioria está aqui está há muito tempo com a gente e sabe da nossa realidade de nunca atrasar salários?, disse o diretor de futebol ao Super FC.
Eduardo Maluf faz questão de ressaltar os quase R$ 40 milhões retidos pela União referentes à venda do meia-atacante Bernard ao Shakhtar Donetsk em agosto de 2013 e ao período sem jogos, que ajudou a acentuar a situação financeira do clube.
?Mas esta situação que a gente vive com o governo dificulta algumas coisas. Para agravar, ainda teve muito tempo sem jogo por causa da Copa do Mundo?, argumentou o dirigente.
Em relação à premiação, Maluf mostrou-se tranquilo e apontou que o restante do dinheiro só será entregue aos jogadores quando a questão financeira do clube junto ao Governo for resolvida.
?Premiação não tem data para pagar. Demos a metade do prometido e vamos completar quando o dinheiro retido cair na nossa conta?, comentou.
Diante desta situação, o departamento jurídico do Atlético segue seu trabalho árduo e mostra pouco entusiasmo. Em contato com a reportagem, o diretor jurídico do Galo, Lásaro Cândido da Cunha, falou sobre a realidade atleticana.
?Ou vai aprovar a lei e a gente faz um parcelamento nos termos que a lei nova indica, ou será parcelada pela lei que tem agora?, afirmou.
Lásaro Cândido da Cunha refere-se ao projeto substitutivo que institui a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte (LRFE), plano que prevê o refinanciamento de dívidas tributárias em 300 parcelas (25 anos), com um tempo de ajuste de 36 meses. A votação na Câmara dos Deputados estava prevista para a última terça-feira, mas acabou sendo adiada.
?Semana passada era para fazer um acordo na Câmara, mas adiaram. Vamos ver?, finalizou.
O Atlético tem uma dívida tributária de R$ 258,8 milhões com a União, a quarta maior entre os clubes brasileiros.








