Um antiácido pode melhorar os sintomas de uma digestão malfeita como pode piorar um quadro de gastrite, quando não, mascarar um problema de saúde mais sério que está dando seus primeiros sinais.
O alerta é do clínico e cardiologista Abrão José Cury Júnior, presidente da regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Clínica Médica. ?A automedicação pode agravar doenças, mascarar sintomas, ter efeitos colaterais danosos ou, no mínimo, servir para nada. O maior risco é a pessoa usar um medicamento que vai mascarar uma doença mais grave. Isso retarda o tratamento adequado e a pessoa vai amargar sérias conse-quências, diz.
Segundo Abrão José Cury, mesmo que a pessoas tenha uma ótima saúde, dependendo do tipo de medicamento, alguns remédios podem confundir os sintomas e dificultar o diagnóstico. Uma dor na região do estômago que habitualmente se atribui à gastrite pode ser um enfarto. Mesmo que a pessoa não morra em função do medicamento errado, ela vai ter sequelas, avisa.
De acordo com o clínico, um dos maiores problemas na automedicação é o uso indiscriminado de antibióticos, o que pode causar uma piora da infecção e até mesmo gerar uma tolerância de determinada bactéria a um tipo de droga. ?A pessoa vai a farmácia e o balconista receita qualquer antibiótico. Se o sujeito erra a dose ou tipo de antibiótico, ele pode causar uma piora da infecção. O balconista tem uma facilidade de vender remédio muito maior que a minha. É um absurdo, protesta.
Controle
Para Abrão José Cury seria fundamental que o governo controlasse, pelo menos, os anti-inflamatórios, antibióticos e todas as medicações que contêm hormônio. Fazendo isso já reduziríamos muito a venda indiscriminada e a automedicação mais perigosa, diz.
Contudo, o médico defende uma regulamentação como a dos Estados Unidos, país onde pouquíssimos remédios são vendidos sem receita. Infelizmente, não temos um décimo desse controle. No Brasil, somente os psicotrópicos têm venda controlada. As campanhas tem ajudado pouco, são necessárias medidas mais coercitivas, mais enérgicas. É a mesma coisa do cinto de segurança. No início, foi uma gritaria danada, mas é uma medida que dá vida as pessoas. O mesmo deveria ser feito com os medicamentos, porque eles são um risco à vida.

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