Um novo tipo de infecção pós-cirúrgica coloca em alerta os órgãos de saúde no Brasil. Intervenções como plásticas e laparoscopias devem ser evitadas, conforme alerta médico. A doença causada por uma Micobactéria de Crescimento Rápido (MCR) se caracteriza por uma espécie de ferida que aparece no local da incisão cirúrgica e não cicatriza. A infecção já fez pelo menos 2.025 vítimas em todo o país.
Em Minas Gerais já foram registrados 21 casos, 13 em 2007 e oito só este ano. Das notificações no Estado, 20 foram em Belo Horizonte e uma em Lavras. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a incidência da doença no Brasil é recente. Com a freqüência que tem ocorrido no país, segundo ele, não há registro em outras localidades, se configurando epidemiologicamente uma doença nova. Tanto que ainda está sendo estudada por várias universidades, como a UFMG.
O Estado do Rio de Janeiro é o que tem a situação mais alarmante, com 969 registros desde 2005 até 2007. Na seqüência vem o Pará, com 314, desde 2001, e Espírito Santo, com 260, desde 2006. Minas aparece em 10º lugar.
Segundo o subsecretário de Vigilância em Saúde de Minas, Luiz Felipe Caram, informou que em 6 de maio deste ano a Secretaria de Estado de Saúde assinou duas resoluções com foco no problema. Uma determina que todos os laboratórios notifiquem a secretaria em caso de exames que confirmem a presença de micobactérias. A outra foi destinada a hospitais e secretarias municipais de saúde e define critérios de desinfecção e esterilização dos equipamentos. De acordo com Caram, o documento ainda estabelece medidas de proteção coletiva e individual dentro dos estabelecimentos de saúde, produtos que podem ser utilizados para fazer a assepsia dos equipamentos e a forma correta. Ainda foi proibido o reprocessamento de produtos médicos enquadrados como de uso único.
O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plásticas, regional Minas Gerais, Jorge Antônio Menezes, diz que todos os profissionais estão orientados a manter um rigor sobre o instrumental cirúrgico. Isto seria suficiente para acabar com o surto. Segundo Menezes, a orientação veio de um encontro realizado no último final de semana no Rio de Janeiro. Vamos ainda fazer um levantamento da situação no Estado e prestar todo atendimento necessário aos pacientes infectados em cirurgias plásticas, diz.

Para Anvisa, situação é grave
Segundo nota técnica divulgada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), as infecções pós-cirurgicas por micobactérias de crescimento rápido registradas no país configuram uma emergência epidemiológica. De acordo com a Anvisa, é uma situação nova para os profissionais da saúde no mundo.
A Anvisa ainda considera grave o quadro verificado em quase todos os estados e já articula medidas de controle junto ao Ministério da Saúde e secretarias estaduais e municipais. Entre as ações já tomadas está a publicação de informes quanto ao correto manuseio de substancias químicas esterilizantes.
A Anvisa verificou que a Micobacteria massiliense apresentou resistência ao glutaraldeído a 2%, produto comumente usado para esterilização de instrumentos cirúrgicos. Por isso recomenda outros métodos disponíveis para esterilização como medida cautelar. A agência também determinou que todos os instrumentos ou produtos utilizados em procedimentos invasivos que entrem na pele e mucosas devem ser esterilizados. Ainda definiu quais os artigos médicos que não podem ser reaproveitados.
No Espírito Santo, as todas as cirurgias de lipoaspiração e lipoescultura estão suspensas desde a última semana por recomendação da Secretaria de Saúde do Estado. O órgão também determinou que as clínicas e hospitais façam a troca de materiais cirúrgicos (cânulas e borrachas) por novos e apresentem relatórios sobre os procedimentos de limpeza e esterilização. (AL)

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