Todo cristão sabe que os Sacramentos são sinais eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, por meio dos quais nos é agregada à vida divina. Falando assim, imaginamos Jesus batizando seus discípulos.

Sabemos que o Batista como instituiu seu batismo de penitência. Segundo o Evangelho de João (3,22.26), Jesus parece batizar e até mais que o Batista, mas depois esclarece (4,2) que não era Jesus quem batizava, mas os seus discípulos.

Na verdade, o rito de lavar os pecados pela água é mais antigo, muito mais antigo. Encontramos em Gênesis (6,12ss) a vontade de Deus limpar a Terra de toda a iniquidade com o dilúvio, salvando apenas a família de Noé e os casais de animais. Foi a primeira aliança com a humanidade (6,18), sendo que o arco-íris é o sinal (9,13). Vemos que também a travessia do mar Vermelho e a nuvem eram prefigurações do batismo.

No Antigo Testamento, como em Levítico, Números e Deuteronômio, vemos os pecados mais como uma questão de impureza que precisava de um rito para a purificação e a água limpa e potável, como de uma nascente, era usada para isso na forma de aspersão, banho ou imersão (lembremos do primeiro milagre de Jesus usando talhas de purificação).

E João Batista não foi o primeiro a usar o rio Jordão como ritual de purificação. Eliseu (2 Rs 2,9ss), discípulo de Elias e que testemunhou a assunção deste ao céu, vivo (por isso ele não pode ter reencarnado em João como creem alguns reencarnacionistas) e que recebeu o “espírito” de Elias em dobro, realizou um ritual de imersão no rio Jordão (2 Rs 5,9ss), em um inimigo do povo de Deus: Naamã, general da Síria, que era leproso. Eliseu disse: vai, lava-te sete vezes no Jordão e tua carne ficará limpa.

O batismo segue uma forma: palavra, fé e conversão e batismo, como vemos no discurso de Pedro em Jerusalém (At 2,37-41), no de Filipe na Samaria (At 8,35-39), na conversão de Saulo de Tarso (At 9,18; 22,14-16), Pedro na casa de Cornélio (At 10,47-48), com Lídia em Filipos (At 16,14- 16), com Crispo em Corinto, chefe da sinagoga (At 18,8) e com os seguidores do Batista em Éfeso (At 19,1-7).

No princípio, o batismo era feito em nome de Jesus Cristo (At 2,38; 10,48; At 8,16; 19,5; 1Cor 6,11; Gl 3,27, Rm 6,3), mas a fórmula definitiva estabeleceu-se após a escrita e conhecimento do Evangelho de Mateus (28,19): ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

O Batismo é o Sacramento que pode ser feito por qualquer cristão, no caso de morte iminente. O Catecismo ensina que quando alguém batiza, é o próprio Cristo que batiza (CIC §1088). O batismo apaga todos os pecados, no caso de ser aplicado a um adulto, ou o original, se for um bebê.

O Batismo gera uma nova criatura e é dom, porque é conferido àqueles que não trazem nada; graça, porque é dado mesmo aos culpados; batismo, porque o pecado é sepultado nas águas; unção, porque é sagrado e régio; iluminação, porque é luz irradiante; veste, porque cobre a nossa vergonha; banho, porque lava; selo, porque nos guarda e é sinal do senhorio de Deus (CIC §1216).

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