A recém-nascida Jennifer, cujo parto teria sido recusado pelo Hospital Risoleta Neves, em Venda Nova, permanece internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) infantil do Hospital Sofia Feldman, na Região Norte de Belo Horizonte. Ela deu entrada neste domingo (31) após sofrer parada cardíaca e crise compulsiva. O estado de saúde da criança ainda é grave, mas estável, e ela respira com a ajuda de aparelhos.
A denúncia de omissão de socorro do Hospital Risoleta Neves foi feita pela mãe da recém-nascida, Pâmela Cristina Rodrigues, de 18 anos. Ela conta que esteve na madrugada desse domingo no referido hospital, mas não foi atendida.
O boletim médico divulgado nesta segunda-feira (1º) pelo hospital Sofia Feldman, onde a criança está internada, informa que Jennifer não apresenta mais convulsões. O bebê recebe medicamentos para o sistema respiratório e permanece sedado. O boletim é assinado pelo médico Marcel Guimarães.
A mãe de Jennifer conta que sentiu contrações do parto no sábado (30) e foi até o Hospital Risoleta Neves. Segundo ela, após exames, foi constatado que a criança não nasceria em breve. Pâmela Rodrigues disse ainda que fizeram exame de toque e até a machucaram. Depois, lhe deram Buscopan na veia e a mandaram voltar para casa, garante.
Na madrugada, o bebê nasceu na casa da família, o parto foi assistido por duas vizinhas. Pâmela Rodrigues e o marido dela, Wallison da Silva Venâncio, de 21 anos, contam que voltaram ao Hospital Risoleta Neves, numa viatura do Corpo de Bombeiros, quando aconteceu o incidente.
A mãe denuncia que a médica nem quis ver a menina para saber o que ela tinha e reclama que ainda estava com a placenta na barriga. Segundo, Pâmela Rodrigues, toda a família ficou indignada, já que a gravidez da jovem, que estava de nove meses, foi saudável, com todos os exames feitos.
Um boletim de ocorrência foi lavrado pela Polícia Militar e a médica Hellen Carolina Costa Ferreira foi levada até a delegacia de Venda Nova para prestar depoimento. A mãe disse ainda que vai recorrer do fato. O caso será investigado pela Polícia Civil.
Reposta
De acordo com uma nota divulgada nesta segunda-feira pelo Hospital Risoleta Tolentino Neves, a instituição afirma que o caso será apurado pela Comissão de Ética do hospital, pois o procedimento correto seria de ?realizar o acolhimento de toda gestante, fazer avaliação clínica e, caso necessário, encaminhar para outra unidade?.
A maternidade não tinha condições de atender à paciente, devido superlotação. A obstetra de plantão explicou a situação aos bombeiros e orientou que levassem a mãe para outro hospital, relata a nota divulgada. Em relação à denúncia que Pâmela não foi atendida, o hospital desculpou-se dizendo que, quando a pediatra foi até a recepção acolher a jovem, os bombeiros já haviam ido embora com a paciente.
?A direção do Risoleta Neves ressalta que não se exime das responsabilidades com relação ao ocorrido e que levará o caso para avaliação da Comissão de Ética para apuração dos fatos e tomada das providências cabíveis?, afirma em nota.








