Política

Boulos reafirma prioridade do governo em acabar com escala 6×1 e defende direitos de trabalhadores de aplicativos

Foto: © Paulo Pinto/Agência Brasil

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, voltou a afirmar nesta segunda-feira (23) que acabar com a escala 6×1 é uma das principais prioridades do governo federal em 2026.

“A proposta que nós estamos defendendo, junto com o [presidente Luiz Inácio] Lula é o fim da escala 6×1, ou seja, no máximo 5×2. No mínimo, o trabalhador ter dois dias de descanso por semana livres e reduzir a jornada máxima para 40 horas semanais sem redução de salário”, explicou.

Durante participação na estreia do programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, Boulos disse que há resistência de empresários contra a medida, mas que isso já era esperado.

“Eu nunca vi patrão defender aumento de direito do trabalhador. Ele sempre vai ser contra, sempre vai contar um monte de lorota dizendo que vai acabar [com a economia]. O fato é que tudo isso foi aprovado historicamente no Brasil e a economia não ruiu”, afirmou.

Além da pauta trabalhista, Boulos destacou que aprovar a PEC da Segurança Pública também é prioridade, para que seja criado um Ministério da Segurança Pública com atribuições definidas em lei.

Trabalhadores de aplicativos

O ministro também defendeu a regulação dos direitos de motoristas e entregadores de aplicativos. Segundo ele, é necessário estabelecer percentuais fixos de repasse às empresas para evitar prejuízos aos trabalhadores.

“A empresa só faz a intermediação tecnológica. Liga o passageiro ao motorista, faz a gestão de um aplicativo, ela não troca um pneu, não tem um carro, não dirige, e de cada viagem ela fica com 50% do lucro do trabalhador. Isso é inaceitável”, disse.

No fim de 2025, a pasta anunciou a criação de um grupo de trabalho para formular propostas de regulação trabalhista para a categoria.

Hidrovias e pauta indígena

Boulos informou ainda que retorna nesta segunda-feira a Brasília para se reunir com lideranças indígenas do Pará, que protestam contra o Decreto nº 12.600, de agosto de 2025. O texto inclui as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND).

No fim de semana, representantes do Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita) ocuparam o escritório da multinacional Cargill, em Santarém, exigindo a revogação do decreto, por considerarem que a medida ameaça o meio ambiente e a soberania alimentar dos povos.

“Eu tenho defendido que o governo atenda a pauta indígena e eu acho que tem possibilidade real disso acontecer. Eu acredito que hoje vamos ter notícias boas sobre isso”, adiantou.

Ao ser questionado sobre uma possível revogação, Boulos disse que a decisão ainda passará por debate com outros ministérios.

“Esse decreto foi publicado antes de eu entrar no governo, mas te adianto que a minha defesa é que a gente consiga atender à reivindicação deles que é justa e necessária”, afirmou.

Com informações da Agência Brasil