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Brasil lidera ranking de trabalhadores pobres entre países da OCDE, aponta IBGE

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil / Portal r7

O Brasil registrou, em 2022, a maior proporção de trabalhadores pobres entre 40 países da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), segundo dados divulgados nessa quarta-feira (3) pelo IBGE. Com 16,7% da população ocupada nessa condição, o país superou nações como México, Costa Rica e Turquia.

O levantamento considera como trabalhadores pobres aqueles que vivem com renda per capita inferior à linha relativa de pobreza, estabelecida em US$ 8,30 por dia. Para isso, são analisados domicílios em que o responsável está em idade ativa e onde pelo menos um membro está empregado.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) relaciona a existência de trabalhadores pobres à baixa qualidade das ocupações e à presença de pessoas empregadas vivendo em extrema pobreza. Em 2024, os dados brasileiros mostram que menos de 0,6% dos trabalhadores ocupados foram classificados como extremamente pobres. No entanto, entre os desocupados, o índice chegou a 13,7%, e entre pessoas fora da força de trabalho, a 5,6%.

O estudo destaca que a presença de pobreza entre trabalhadores ocupados está associada à maior vulnerabilidade dos postos de trabalho, o que resulta em rendimentos mais baixos.

Foto: Luce Costa/Arte R7

Setores mais afetados

A análise também aponta os setores com maior concentração de trabalhadores pobres. Em 2024, o serviço doméstico liderou, reunindo 11,3% desse grupo. Em seguida aparecem a construção de edifícios (8,7%) e o comércio de produtos alimentícios, bebidas e fumo (4,6%).

As dez principais atividades responderam por 44% do total de trabalhadores pobres no país. Entre elas estão:

  • Restaurantes e outros serviços de alimentação e bebidas (4,2%);
  • Cabeleireiros e atividades de tratamento de beleza (3,2%);
  • Criação de bovinos (3,1%);
  • Cultivo de mandioca (2,4%);
  • Transporte rodoviário de passageiros (2,3%);
  • Serviços especializados para a construção (2,2%);
  • Manutenção e reparação de veículos automotores (2,1%).

O estudo do IBGE revela um cenário de forte precarização no mercado de trabalho brasileiro, onde a ocupação não garante necessariamente renda suficiente para superar a pobreza. A maior proporção de trabalhadores pobres entre países da OCDE reforça a necessidade de políticas voltadas para melhoria da qualidade dos empregos e para a redução da vulnerabilidade econômica das famílias ocupadas.

Com informações do Portal r7