Valor das cargas confiscadas no primeiro semestre deste ano é 11 vezes maior que o registrado no mesmo período de 2025, segundo a Receita Federal
O mercado ilegal de “canetas emagrecedoras”, medicamentos injetáveis utilizados em tratamentos de obesidade e diabetes, tem avançado em Minas Gerais e acendido o alerta de autoridades, forças de segurança e entidades médicas. No primeiro semestre deste ano, as cargas de medicamentos irregulares apreendidas no estado foram avaliadas em R$ 893 mil, valor 11 vezes superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Segundo a Receita Federal, que calcula a estimativa do valor comercial dos produtos ilegais recolhidos, entre janeiro e junho do ano passado as apreensões em Minas Gerais totalizaram R$ 78.862. Os produtos confiscados são medicamentos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Procura por medicamentos para emagrecimento impulsiona comércio ilegal
O crescimento do comércio clandestino está relacionado à alta procura por injetáveis que prometem perda rápida de peso. Entre os produtos encontrados irregularmente estão substâncias como semaglutida e tirzepatida, utilizadas no tratamento de obesidade e diabetes quando prescritas por profissionais de saúde.
Recentemente, um homem de 40 anos foi preso com 196 ampolas que supostamente armazenavam essas substâncias. A carga, de origem paraguaia, foi apreendida na BR-262, em Juatuba, na Grande Belo Horizonte, durante uma ação da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Entre 1º de janeiro e 31 de maio deste ano, a PRF recolheu 202 canetas emagrecedoras e 655 ampolas sem registro na Anvisa nas rodovias que passam por Minas Gerais.
Entidades médicas alertam para riscos à saúde
Com o aumento da circulação de medicamentos de origem irregular, entidades médicas reforçaram os alertas sobre os riscos do uso de produtos sem procedência comprovada.
A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) afirmaram que versões manipuladas, modificadas ou de origem desconhecida de medicamentos como semaglutida e tirzepatida podem representar riscos à saúde.
Segundo as entidades, esses medicamentos são biológicos e necessitam de processos rigorosos de fabricação, controle de qualidade, esterilidade e conservação para garantir segurança e eficácia.
Entidades questionam promessas de produtos alternativos
Ainda conforme os alertas divulgados, produtos irregulares costumam ser anunciados como alternativas mais baratas e com os mesmos resultados dos medicamentos aprovados pelos órgãos reguladores. No entanto, as entidades afirmam que essa promessa não possui respaldo científico e pode expor os usuários a riscos graves.
A nota cita relatos da Administração Federal de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA), que registraram problemas relacionados à administração de versões alternativas ou manipuladas, incluindo doses superiores ou inferiores às recomendadas, contaminações e substituição por outros compostos.
As entidades destacaram ainda que a divulgação de semaglutida e tirzepatida alternativas ou manipuladas como opções mais acessíveis e igualmente eficazes representa uma falsa promessa.
Com informações do Metrópoles








