Cidades mineiras que já eram secas estão ainda mais secas. Os impactos da mudança climática não são mera impressão de quem convive com a estiagem ou vê áreas florestais tomadas por focos de incêndio. Os efeitos são comprovados por estudos científicos, que revelam ainda que 78% dos municípios do Estado têm sensibilidade alta a essas variações e outros 15% são extremamente vulneráveis.

Os dados fazem parte do Índice Mineiro de Vulnerabilidade Climática (IMVC), estudo inédito em Minas, feito pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), em parceria com a Agência Francesa de Desenvolvimento. Pelos índices divulgados nesta quarta, 666 cidades compõe o grupo com alta sensibilidade às alterações do clima, onde vivem cerca de 3 milhões de habitantes.

São locais situados predominantemente no Norte de Minas, Vale do Jequitinhonha e Mucuri, regiões historicamente mais pobres e também mais áridas. A sensibilidade é medida com base em deficiências sociais e estruturais, como baixa renda da população e falta de acesso a saneamento básico, situações que agravam o problema da seca ou das enchentes.

Já a vulnerabilidade extrema foi encontrada em 128 municípios, a maioria também do Norte, Vale do Jequitinhonha e Mucuri, com uma população de 1,7 milhão de habitantes. “Nós estamos em consonância com o que vem ocorrendo no mundo. A vulnerabilidade em Minas é muito significativa e as populações já estão sofrendo os impactos das mudanças climáticas”, afirmou o gerente de Energia e Mudanças Climáticas da Feam, Felipe Nunes.

O índice foi calculado com base em três indicadores: a sensibilidade, que mede os fatores estruturais e sociais; a exposição ao clima, que analisa o padrão geográfico, como lugares mais expostos à seca ou às enchentes; e a capacidade de adaptação, que inclui a renda per capita do município e o esforço orçamentário empregado na área. Além dos 15% em situação extrema, 7,5%, que representa 64 dos municípios mineiros apresentam vulnerabilidade muito alta e 9,26%, ou 79 municípios, registraram alta vulnerabilidade, o que soma uma população de 2,6 milhões de pessoas.

Após 19 dias de seca, volta a chover em Belo Horizonte

Depois de 19 dias de seca, reservatórios em baixa e muitos registros de incêndio, alguns bairros de Belo Horizonte e da região metropolitana registraram pancadas de chuva na tarde desta quarta.
Na capital, a precipitação atingiu as regiões Noroeste, em bairros como o Caiçara, Califórnia, Coração Eucarístico e Padre Eustáquio; e Pampulha, nos bairros Castelo, Celso Machado e Serrano.

Houve chuva de pequena intensidade em Contagem, no bairro Nacional, e na serra do Rola Moça, na altura do distrito de Casa Branca, em Brumadinho, ambas na região metropolitana. A serra foi atingida por uma grande queimada, que consumiu 1.009 hectares. 

Previsão

Segundo o instituto TempoClima Puc Minas, há possibilidade de chuva até domingo na capital e na região metropolitana. Neste mês, Belo Horizonte teve recorde histórico de temperatura (37,4°C) e pouca precipitação. Dos 123,1 milímetros esperados de água para outubro, foram apenas seis milímetros. 

Focos

Nesta quarta, 17 focos de incêndios ainda atingiam nove unidades de conservação em Minas. A execução do plano de emergência, que terá custo de R$ 8 milhões, está na dependência da elaboração de termos de referência, segundo o governo. 

Redação do Jornal Nova Imprensa

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