Durante décadas, a ciência considerou que as pessoas se dividiam em apenas dois cronotipos de sono: os madrugadores, que preferem dormir e acordar cedo, e os notívagos, que costumam dormir e despertar mais tarde. No entanto, um estudo publicado na revista Nature Communications identificou que o ser humano pode apresentar cinco subtipos distintos de padrões de sono.
Segundo os pesquisadores, cada subtipo possui características biológicas específicas, confirmadas por exames de imagem cerebral, e pode estar relacionado ao comportamento e a diferentes consequências para a saúde.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, que treinaram um algoritmo de aprendizado de máquina para analisar dados de neuroimagem, relatórios de saúde e respostas a questionários de cerca de 27 mil participantes do UK Biobank.
Com base nas imagens cerebrais, o algoritmo avaliou os padrões de sono e vigília ao longo de 24 horas e identificou cinco subtipos de sono relacionados às características biológicas de cada indivíduo.
Segundo o neurocientista Le Zhou, principal autor do estudo, os participantes apresentaram padrões biológicos distintos identificados por meio das imagens cerebrais.
Esse grupo reúne pessoas mais propensas a assumir situações de risco e que apresentam dificuldades para normalizar as emoções. Em contrapartida, demonstram desempenho cognitivo superior.
Caracterizados por comportamento mais tranquilo, menor nível de atividade física e maior probabilidade de fumar, esses indivíduos também apresentaram maior associação com problemas de saúde, como depressão, doenças cardíacas e diabetes.
Esse subtipo apresentou maior prevalência entre homens. Os participantes demonstraram maior consumo de cigarro, álcool e cannabis, além de níveis mais elevados de testosterona.
Considerado o perfil tradicional de quem acorda cedo, esse grupo apresentou redes cerebrais mais eficientes, menor consumo de tabaco e álcool e menor associação a comportamentos de risco.
Formado, em sua maioria, por mulheres, esse subtipo foi associado a maior incidência de sintomas de depressão, baixos níveis de testosterona e maior probabilidade de problemas menstruais.
Os pesquisadores observaram que três dos cinco subtipos identificados representam variações do perfil notívago, enquanto os outros dois apresentam características diferentes do cronotipo madrugador.
De acordo com o estudo, os cronotipos de sono provavelmente resultam de uma interação complexa entre fatores genéticos, variações hormonais e aspectos ambientais, como horários de trabalho e exposição à luz.
Apesar dos resultados, os cientistas ressaltam que ainda não é possível determinar exatamente como esses fatores influenciam a formação de cada padrão de sono.
Os autores destacam que a descoberta poderá servir como uma importante ferramenta para analisar os padrões de sono da sociedade moderna e compreender melhor seus impactos sobre a saúde do organismo.
Mesmo assim, eles alertam que ainda não está claro se as diferenças observadas nas imagens cerebrais e os resultados relacionados à saúde são causas ou consequências dos diferentes cronotipos.
“Não podemos afirmar, apenas com base nesses dados, se as diferenças cerebrais ou os resultados de saúde são causa ou consequência”, afirmou o neurocientista Le Zhou.
Com informações do Metrópoles






