Os protestos que levaram milhares de pessoas às ruas em junho de 2013 completam cinco anos neste mês. O aniversário daquela jornada foi precedido por uma greve de caminhoneiros que parou o país e trouxe à tona o sentimento daquele período: a descrença na política e nos políticos que estão no poder.

As manifestações que foram iniciadas pelo Movimento Passe Livre (MPL), em São Paulo, contra o aumento de R$0,20 na passagem do transporte coletivo, se transformaram, com o passar dos dias, em grandes atos agendados pelas redes sociais em todo o país, com pautas difusas e a presença de diversos movimentos sociais e sindicais e partidos políticos com ideologias diferentes.

Embora as pautas fossem muitas – do preço da passagem do transporte coletivo ao fim da corrupção –, talvez o que unisse todas as vozes fosse a insatisfação com a classe política e como ela estava conduzindo o país. O que as pessoas nas ruas interpretavam como uma indiferença dos representantes eleitos com as demandas da população.

 

“[Com os protestos] cria-se um distanciamento ainda maior entre a classe política e a sociedade. Atribuiu-se uma imagem de malfeitores aos políticos, e isso provocou esse grande distanciamento”, analisa o cientista político da PUC Minas Malco Camargos. O pior, segundo o especialista, é que o fenômeno não foi muito bem compreendido pela classe política. “Nem a esquerda nem a direita entenderam o processo. Os dois lados não compreenderam bem o que aconteceu no movimento de 2013 até hoje e perderam a aderência (apoio) do eleitorado”, afirma.

O distanciamento entre a classe política e a população foi acompanhado de uma descrença cada vez maior das pessoas nas instituições políticas, ocasionada pela divulgação de casos de corrupção. “A descrença política é resultado de um somatório das manifestações de 2013 com o avanço da operação Lava Jato. O processo de decepção popular se aprofunda depois (do avanço) da operação”, afirma o cientista político da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Paulo Roberto Figueira Leal.

O crescimento da decepção popular com a classe política permanece alta. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Fórum Econômico Mundial em parceria com a Fundação Dom Cabral e divulgada no fim de 2017, o brasileiro é o que menos confia em seus políticos. O estudo foi realizado em 137 países.

 

Esperança alta por mudança

Uma das bandeiras levantadas durante os protestos, a renovação política não foi expressiva nas eleições de 2014. Na Câmara dos Deputados, o índice de renovação foi de 43,5%, um pouco menor do que em 2010, quando o percentual foi de 46,4%. Os dois índices permaneceram na média de renovação da bancada, que a cada eleição permanece na faixa de 40% a 50%.

Mesmo assim, a maioria dos brasileiros acredita que neste ano a situação pode mudar. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Paraná Pesquisas divulgada em novembro do ano passado, pelo menos 71,9% dos brasileiros acreditam que 2018 será um ano com renovação política, enquanto 23,9% não creem nisso.

“O problema é tratar a renovação como uma mudança de rostos. A ideia da renovação é um fetiche muito perigoso. Renovar as instituições políticas e as lógicas seria muito mais defensável do que renovar sujeitos”, avalia o cientista político Paulo Figueira Leal.

 

Popularidade

Em junho de 2013, o governo Dilma Rousseff (PT) viu seu índice de popularidade cair vertiginosamente em 27 pontos percentuais. Segundo pesquisa do DataFolha publicada no dia 28 de junho de 2013, apenas 30% dos brasileiros consideravam a gestão do governo boa ou ótima. Na primeira semana do mesmo mês, antes de as manifestações se espalharem pelo país, a aprovação era de 57%.

 

 

Fonte: O Tempo ||

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