A Apple confirmou ontem que fechou contrato para a venda do iPhone com a América Móvil, controladora da Claro. Jeniffer Bowcock, porta-voz da Apple para o iPhone, disse que a empresa de tecnologia está entusiasmada com a parceria, mas não mencionou detalhes do acordo. O iPhone será lançado em 16 países da América Latina com cobertura da América Móvil, incluindo o Brasil.
Segundo Bowcock, não há data prevista para a chegada do celular da Apple que navega pela internet, mas ele estará nas lojas até o final do ano.
Em geral, a Apple fecha contratos exclusivos com as operadoras de telefonia para a venda do iPhone. Foi assim nos EUA e na Europa. Mas, aos poucos, a concorrência consegue quebrar esse protocolo.
Em nota oficial, a mexicana América Móvil não menciona a exclusividade, nem fala dos modelos de iPhone que virão ao Brasil, nem da faixa de preços. A Folha apurou que a Claro não terá a exclusividade. Ontem, o presidente da Claro, João Cox, estava no México para acertar detalhes da operação de lançamento do iPhone.
Outro ponto incerto do acordo é a estréia do iTunes, a loja virtual da Apple que vende conteúdos atrelados ao iPhone. É por esse canal que a Apple obtém boa parte de sua receita, a partir da venda de músicas e vídeos. Sem ela, estima-se que a Apple perderá anualmente cerca de US$ 120 por comprador do iPhone, segundo analistas estrangeiros.
Surpresa
A vitória da América Móvil, do empresário mexicano Carlos Slim, foi uma surpresa para a Telefónica. A Folha apurou que a companhia espanhola ainda está na mesa de negociação para lançar o iPhone nos países da América Latina onde ela tem subsidiárias móveis.
No Brasil, a Vivo seria a operadora a lançar o celular, mas as conversas emperraram no último mês. Isso porque a Apple pedia participação na receita da Vivo, como fez com a AT&T, nos EUA, a O2, no Reino Unido, e a Deutsche Telecom, na Alemanha.
Além disso, queria que a Telefónica subsidiasse os aparelhos para que fossem vendidos a preços baixos, incentivando sua massificação. Nos EUA, um aparelho sai por US$ 400. Aqui, custaria aproximadamente R$ 2.500.
Os espanhóis recusaram-se a fechar o acordo, alegando que a proposta não fazia sentido em uma região onde imperam as vendas não-oficiais de iPhones desbloqueados.
Uma fonte envolvida nas negociações da Telefónica e que não pode ter seu nome identificado acredita que a Claro deve ter aberto mão de parte de sua receita para fechar o acordo e virar o jogo.
O acordo com a Claro é fechado em um momento decisivo para a Apple. Embora ela tenha faturado com a venda de 1,4 milhão de iPhones em atividade no momento pelo mercado paralelo (estima-se que no Brasil sejam aproximadamente 300 mil), ela deixaria de ganhar US$ 1 bilhão por ano com a receita de serviços e conteúdos via iTunes, caso não fizesse nada para antecipar o lançamento do iPhone em países antes desconsiderados.
Na terça-feira (6), a operadora britânica Vodafone anunciou que ganhou o direito de vender o iPhone em dez países: Portugal, Itália, Turquia, República Tcheca, Egito, Grécia, Nova Zelândia, Austrália, Índia e África do Sul. O iPhone também é vendido nos Estados Unidos, na França, na Alemanha, no Reino Unido, na Irlanda e na Áustria.
Isso explica, em parte, por que Steve Jobs, em seu último comunicado ao mercado, em 23 de abril, previu a venda de 10 milhões de iPhones até o final desse ano, o dobro da marca atual. Analistas acreditam que Jobs entendeu que não pode restringir o mercado e impor regras comerciais rígidas ao iPhone, um produto que tem vida própria.

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