Pesquisadores identificaram que o guano, excremento de aves marinhas rico em nutrientes, foi fundamental para o desenvolvimento agrícola e econômico do Reino de Chincha, civilização pré-incaica que habitou o noroeste do Peru entre os anos 900 e 1450 d.C.
A descoberta veio da análise de 35 amostras de milho encontradas em túmulos no Vale de Chincha. Os grãos apresentaram altos níveis de nitrogênio, indicando que as plantações foram fertilizadas com guano. O estudo, liderado pelo arqueólogo Jacob Bongers, da Universidade de Sydney, foi publicado em 11 de fevereiro na revista científica Plos One.
Segundo os pesquisadores, o uso do fertilizante natural permitiu aumento expressivo na produção de milho, garantindo excedentes agrícolas que sustentaram o comércio, a riqueza e o crescimento populacional da região. O recurso também fortaleceu alianças estratégicas, incluindo a aproximação com o Império Inca.
Representações arqueológicas em tecidos, cerâmicas e esculturas reforçam a importância cultural do guano, mostrando aves marinhas, peixes e espigas de milho germinando. Escritos coloniais relatam que comunidades costeiras do Peru e do norte do Chile navegavam até as ilhas Chincha para coletar o excremento, considerado de alta qualidade.
Para os cientistas, o guano não tinha apenas valor agrícola, mas também simbólico. “As pessoas reconheciam o poder excepcional desse fertilizante e celebravam, protegiam e até ritualizavam a relação vital entre as aves marinhas e a agricultura”, destacou Bongers.
A pesquisa evidencia como recursos naturais foram tratados como riqueza pelas civilizações antigas e desempenharam papel decisivo em sua sobrevivência e expansão.
Com informações do Metrópoles







