As entidades de classe que representam os comerciantes formiguenses queixaram-se à redação do jornal Nova Imprensa sobre a indignação dos comerciantes que, mesmo pagando impostos e explorando regularmente suas atividades, possuindo alvarás de localização e funcionamento, criando empregos e gerando renda, ainda assim, vêm diariamente sofrendo a concorrência desleal de ambulantes e de outros picaretas que, espalhados pelas ruas da cidade, aqui vendem de tudo.
Nesta semana, na praça Getúlio Vargas, um cidadão manteve ?seu comércio? aberto dia e noite, sob o abrigo de uma tenda ali instalada, vendendo raízes, ervas e outros produtos que, segundo ele, eram capazes de curar uma infinidade de doenças. Ali tinha ?remédio? para tudo. De queda de cabelo a diabetes, dores nos rins, etc e tal.
As farmácias regularmente instaladas na região, certamente se julgaram prejudicadas e gerentes e proprietários, indignados, questionavam se o ?concorrente? assim como lhes é exigido, passou também pelo crivo da Vigilância Sanitária, da turma do Meio Ambiente e de representantes de outros órgãos municipais que deles exigem uma série de documentos e de posturas, antes de lhes liberar o tal alvará.
A poucos metros do ilustre ?doutor?, um outro ?felizardo? negociava panelas e outros utensílios.
Não muito longe dali, na calçada próxima ao antigo Banco Real, ocupando grande parte de uma área destinada a pedestres, outros vendedores espalharam sobre um pano (cobertor?) centenas de brinquedos para serem comercializados a ?preço de banana?. Liquidação de estoque, quem sabe para mudança de ramo!
Vendedores de móveis rústicos, praticamente toda semana, também fazem de extensa área de calçada nas proximidades do Terminal Rodoviário, uma grande loja a céu aberto. Mesas, cadeiras, poltronas, bancos, cabides, em vime ou madeira, ali são expostos e comercializados sem que ninguém os importune.
Isto, sem falar dos veículos que ali aportam vendendo cofres, frutas e outras quinquilharias, é claro, sem que ninguém os moleste. A procedência é diversa e, ao que se sabe, não faz muito tempo a polícia encontrou em meio às frutas certa quantidade daquele pozinho branco, bem embalado e certamente distribuído àqueles que dele fazem uso.
O que estes ilustres visitantes trazem de benefício para a cidade ou sua população? Essa é a pergunta que os reclamantes gostariam de ver respondida e que o jornal, respeitosamente, repassa às autoridades.
Não faz muito tempo o município realizou concurso público para a admissão de fiscais, e a redação do jornal apurou que três aprovados foram contratados. Até um veículo foi adquirido pela municipalidade para dar maior agilidade às ações fiscalizadoras, que certamente inibiriam a prática objeto desta reclamação. Mas, ao que parece e segundo afirmou o próprio secretário de Fazenda, Elizaldo Frade (Fradinho), até hoje não foi possível incrementar este indispensável serviço em favor dos cofres públicos e da própria população, sabe-se lá por quais motivos.
Mas uma questão fica no ar: será que o poder público municipal, ou melhor, quem autorizou, por exemplo, a instalação da ?tenda de ervas milagrosas? naquele espaço público, talvez o mais nobre e de maior movimento nesta cidade, pode garantir aos ?desavisados consumidores? que dentro dos pacotinhos ali vendidos a preços baixos, existe mesmo erva medicinal, milagrosa ou será apenas capim desidratado? Em sã consciência, quem poderá atestar que o produto comercializado, colocado ali naquelas rústicas embalagens, foi manuseado com critério e em condições que o deixem livre de contaminações?
Remédio para uns, pode ser veneno para outros, garantiu um farmacêutico de conhecida experiência. Mostrou-se indignado com a falta de providências ?oficiais? contra aquilo que, para ele, pode causar danos à saúde humana e concluiu, dizendo: ?Com saúde pública não se brinca. Não dá para negligenciar. O poder público não pode de forma alguma se omitir numa hora destas!?.

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