Disparos e explosões ecoaram em Trípoli, a capital da Líbia, nesta sexta-feira (12), enquanto forças do leste do país combatiam tropas do governo reconhecido internacionalmente nos subúrbios do sul da cidade.

Milhares de civis abandonaram suas casas.

O Exército Nacional da Líbia (ENL), de Khalifa Haftar, avançou sobre a capital há uma semana.

Grupos armados leais ao primeiro-ministro reconhecido internacionalmente, Fayez al-Serraj, mantiveram o ENL afastado com violentos combates ao redor de um aeroporto antigo e abandonado, a cerca de 11 quilômetros do centro.

O país vive ciclos de anarquia e disputas desde a derrubada do ditador Muammar Khadafi, em 2011.

Batalhas ao longo de uma semana deixaram 75 pessoas mortas –a maioria composta por combatentes, mas também 17 civis– e feriram outras 323, de acordo com os últimos dados da ONU. Cerca de 9.500 pessoas também foram forçadas a sair de casa.

Além do custo humanitário, o conflito ameaça interromper o fornecimento de petróleo, aumentar o fluxo migratório pelo Mediterrâneo para a Europa, modificar um plano de paz da ONU e permitir que militantes islâmicos explorem o caos.

Haftar, o líder de 75 anos do ENL, é um ex-general do Exército de Gaddafi que posteriormente se juntou à rebelião contra o líder.

Ele moveu suas tropas do leste para tomar o deserto, rico em petróleo, no início deste ano, e chegou a Trípoli no começo de abril.

O governo de Serraj conseguiu conter o avanço, auxiliado por grupos armados com metralhadoras em caminhonetes e contêineres de aço do outro lado da estrada para Trípoli.

A ONU, que esperava organizar uma conferência nacional neste mês com as administrações rivais do leste e oeste para organizar uma eleição, pediu um cessar-fogo.

Os Estados Unidos, o bloco G7 e a União Europeia também pediram ao ENL que suspenda sua ofensiva.

Líbios tentam manter rotina

Enquanto o barulho dos conflitos ecoava pela cidade, residentes tentavam manter alguma rotina nesta sexta-feira.

Famílias estavam tomando café da manhã próximo ao mercado de peixe, onde pessoas faziam estoques de comida para a semana.

“Nós nos acostumamos a guerras. Temo apenas a Deus”, disse Yamin Ahmed, de 20 anos, que trabalha em uma rede de fast-food.

 

 

Fonte: G1||

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