Formiga

Conta de luz sobe com dólar valorizado

O diretor de finanças e participações da Cemig, Luiz Fernando Rolla, admitiu na quarta-feira que a valorização do dólar em relação ao real terá impacto no reajuste de tarifas da concessionária em abril. A cotação do dólar interfere no preço da conta por causa do aumento de custos com a energia comprada de Itaipu, precificada em moeda americana. ?Em abril de 2007, o dólar valia R$ 1,80, mas durante a crise chegou a custar R$ 2,40. Essa diferença será repassada ao consumidor no ano que vem?, afirmou, em conversa com jornalistas depois da apresentação dos resultados da empresa no terceiro trimestre deste ano.
Em abril deste ano, depois de um processo de revisão tarifária que ocorre a cada cinco anos, as tarifas da empresa foram reduzidas, em média, em 12%. Para os consumidores residenciais, a queda na conta de luz foi de 17%. Com os aumentos dos custos de Itaipu, a Cemig banca o consumidor durante o ano contado a partir de abril, mas será ressarcida no reajuste de 2009.
O reajuste negativo pesou para a queda de 34% no lucro líquido da Cemig Distribuição. Porém, o resultado consolidado da empresa foi compensado pelo volume recorde das vendas de energia no trimestre, quando as vendas a consumidores finais aumentaram 10,4% ante igual período de 2007. Com isso, o lucro líquido consolidado da companhia sofreu redução de 5,67% no terceiro trimestre, saindo de R$ 547 milhões para R$ 516 milhões. O impacto da retração tarifária nas contas da empresa foi menor do que o esperado por analistas financeiros. De janeiro a setembro de 2008, o lucro líquido consolidado da Cemig alcançou R$ 1,6 bilhão, 9,3% superior ao registrado nos nove primeiros meses de 2007.
O terceiro trimestre do ano foi encerrado pela empresa com uma geração de caixa de R$ 3 bilhões, o que, segundo Rolla, é suficiente para quitar todos os compromissos com credores até o final de 2009. ?Isso permite total tranqüilidade à Cemig. Podemos usar os recursos de caixa para pagar a dívida, se for necessário?, sustentou. A exposição da empresa aos riscos cambiais ficou restrita a 4% do total da dívida. Até o fim do ano, a empresa deverá concluir investimentos previstos de R$ 2,1 bilhões, dos quais já aplicou R$ 640 milhões. No ano que vem, os investimentos previstos são de R$ 1,5 bilhão.