Regional

‘CPI dos Áudios’: vereadores convocam novas oitivas em Divinópolis

A “Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Áudios”, aberta pela Câmara de Divinópolis para investigar uma suposta oferta ilícita de cargo público na Prefeitura, decidiu, em reunião nessa quarta-feira (31), convocar duas novas oitivas.

A CPI foi criada em junho depois que áudios de uma conversa entre o prefeito de Divinópolis, Galileu Machado (MDB), e o empreiteiro Marcelo Máximo de Morais Fernandes, conhecido como Marcelo Marreco, se tornaram públicos. Algumas interpretações sugerem que a conversa envolve a oferta de cargo público com uma insinuação de que o empreiteiro não precisaria trabalhar.

Após reunião dos integrantes da comissão durante a tarde, o presidente da CPI, Ademir Silva (PSD), informou que o delegado regional de Divinópolis, Leonardo Moreira Pio, e outro policial civil serão ouvidos no dia 7 de novembro. Os áudios vazados chegaram a ser analisados na Polícia Civil da cidade.

O relatório preliminar da comissão também já foi concluído, conforme Silva, e deve ser apresentado durante a reunião ordinária da Câmara nesta quinta-feira (1º). Já o relatório final deve ser entregue à Casa no dia 18 de novembro. A expectativa é que a CPI seja concluída em dezembro.

Ministério Público

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) indiciou o prefeito de Divinópolis, Galileu Machado, a secretária de Administração, Raquel de Freitas, o secretário de Governo, Roberto Chaves, o jornalista José Geraldo Passos e o empreiteiro Marcelo Máximo de Morais Fernandes, conhecido como Marcelo Marreco, por improbidade administrativa.

O promotor Gilberto Osório confirmou na terça-feira (30) que a ação foi ajuizada no dia 1º de outubro e tramita na Vara de Fazendas Públicas.

Segundo o promotor, as investigações comprovaram que Galileu Machado realmente ofereceu um cargo público para o empreiteiro Marcelo Máximo.

No dia 11 de julho, o prefeito foi ouvido pelo MPMG para tratar sobre a suposta oferta ilícita de um cargo público na Prefeitura.

O empreiteiro Marcelo Fernandes disse que vai se inteirar sobre a ação. O jornalista José Geraldo Passos disse que responderá a ação na justiça e que considera o fato uma “ação politiqueira”.

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura Municipal de Divinópolis, para falar sobre a ação, mas não obteve retorno até esta publicação.

Oitivas

 Na primeira oitiva, realizada no dia 25 de junho, foram ouvidos o denunciante e o chefe de gabinete da Prefeitura, Djalma Guimarães. Já na segunda parte das investigações, realizada no dia 9 de julho, foi ouvido o procurador geral do município, Wendel Santos. Na terceira oitiva, feita no dia 13 de agosto, prestaram depoimentos a secretária de Administração, Raquel de Freitas, e o secretário de Governo, Roberto Antônio Ribeiro Chaves.

No dia 22 de agosto, o Prefeito de Divinópolis foi ouvido pela primeira vez pela comissão. Antes, no dia 11 de julho, Galileu foi ouvido pelo Ministério Público, que também conduz uma investigação sobre o caso e indiciou o prefeito e outras quatro pessoas por improbidade administrativa. No dia 23 de agosto, foi ouvido o jornalista José Geraldo Passos. No dia 12 de setembro, após a prorrogação da CPI, foram ouvidos o Diretor de Comunicação e a gerente de Marketing da Prefeitura.

No dia 19 de outubro, a comissão realizou acareações entre o empreiteiro, que é o denunciante, e o jornalista José Geraldo Passos, apontado como intermediário na negociação. Na ocasião, a comissão pediu mais 30 dias para concluir os trabalhos.

Entenda o caso

 Após o vazamento dos áudios, a Associação dos Advogados do Centro-Oeste de Minas (AACO-MG) protocolou um ofício na Câmara Municipal, cobrando uma investigação sobre o caso.

Conforme a denúncia, os advogados entenderam que Galileu Machado ofereceu o cargo de coordenador da Secretaria Municipal de Agricultura e afirmou que o empreiteiro não precisaria trabalhar.

A Câmara rejeitou a denúncia, por 11 votos a cinco, em votação no dia 5 de junho, mas informou que uma CPI já estava aberta na Casa há cerca de 15 dias e reunia documentos sobre o tema. Na época, a Prefeitura emitiu nota afirmando que as provas apresentadas na denúncia eram forjadas e ilegítimas.

Uma perícia, feita pela Polícia Civil e encaminhada ao Ministério Público, comprovou que os áudios não sofreram adulteração.

“Mesmo tendo assumido que houve a conversa, o prefeito nega a integridade dos áudios e mantém a suposição de que as gravações possam ter sido alteradas. Porém, o Instituto de Criminalística da Polícia Civil, concluiu que há três conversas diferentes [na gravação], mas que todas são íntegras em seu conteúdo. Ou seja, não temos indicativos de qualquer montagem”, explicou o promotor Gilberto Osório.

Além de Ademir, integram a CPI os vereadores Renato Ferreira (PSDB), Raimundo Nonato (PDT), Edson Sousa (MDB) e Josafá Anderson (PPS).

 

 

Fonte: G1 ||