As tendências minoritárias do PT tentam neste domingo (2) acabar com o domínio da principal corrente do partido, liderada pelo deputado federal Ricardo Berzoini, na eleição do novo diretório nacional da sigla. Berzoini é o atual presidente e candidato à reeleição.
A depender do candidato que vencer a eleição, ficarão fortalecidos ou enfraquecidos internamente alguns dos principais nomes petistas cotados para a sucessão de Lula. Apesar de a nova direção ter mandato até 2009, o novo diretório é que vai definir as bases para as eleições de 2010.
Os dois principais adversários de Berzoini na disputa são apoiados por ?presidenciáveis? do PT ? o deputado Jilmar Tatto, ligado à ministra do Turismo, Marta Suplicy, candidato da chapa Partido é Pra Lutar, e José Eduardo Cardozo, da chapa Mensagem ao Partido, que tem o apoio da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e do governador da Bahia, Jaques Wagner, além do aval do ministro Tarso Genro.
Correndo por fora na disputa aparece ainda o candidato Valter Pomar, ligado aos grupos mais à esquerda do PT.
Esta será a primeira eleição do diretório nacional do partido desde 2006, quando o PT se viu mergulhado no escândalo do ?dossiê tucano?, que tentava ligar candidatos do PSDB à máfia dos sanguessugas. O escândalo envolveu assessores diretos de Berzoini e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A construção de uma candidatura própria do partido está entre as prioridades dos principais candidatos, contrariando desejo do próprio Lula, que considera a discussão precoce e defende um candidato da base aliada ? não necessariamente do PT.
?Coordenar as campanhas eleitorais de 2008 e preparar o PT para vencer, se possível com candidato próprio, as eleições de 2010?, registra no site do partido como prioridade central da chapa de Berzoini, do antigo Campo Majoritário, tendência predominante, que reúne lideranças como o ex-ministro José Dirceu.
Apesar da ressalva do ?se possível com candidato próprio? , Berzoini disse ao G1 não acreditar que o partido não tenha candidato próprio em 2010.
?O candidato pode vir de qualquer partido. O PT é um partido que aprendeu a construir alianças. Mas acredito que a base do PT não vai abrir mão de ter candidato, obviamente respeitando todas as postulações de eventuais aliados, que têm legitimidade de postular a indicação em uma frente de partidos?, disse.
Como Lula, ele também acha que a discussão sobre candidatos à sucessão é precoce. ?O PT não define sozinho o cenário para 2010. Mas terá papel fundamental, já que são seus fóruns que vão estabelecer a política, a estratégia e a tática para as eleições?, disse.
Berzini afirmou que ?o partido deve preparar uma direção para ser eleita em 2009, porque será a que vai construir a coordenação de campanha, a política de alianças e o programa para disputa eleitoral de 2010?.

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