Um decreto de 2009 pode colocar por água abaixo as intenções da Gasmig de converter a frota do governo de Minas Gerais para Gás Natural Veicular (GNV). A proposta é parte da campanha Vou no gás, lançada na última segunda-feira para estimular o uso desse combustível. A estatal firmou um termo de cooperação técnica com a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) para converter os veículos do Estado para esse combustível. Mas o decreto 45.229, assinado em 13 de dezembro de 2009 pelo então governador Aécio Neves, obriga que a frota use preferencialmente etanol para reduzir as emissões de poluentes.
Em seu artigo 6º, inciso II, o decreto afirma que, para sua frota, será obrigatória a utilização de álcool combustível – etanol-, desde que haja disponibilidade. Para que essa ideia de conversão para GNV aconteça, o Estado vai ter que fazer outro decreto, pois o Aécio Neves, quando era governador, firmou esse compromisso para a redução do lançamento de gases poluentes. É uma questão ambiental, questionou o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Minas Gerais (Siamig), Luiz Custódio Cotta Martins.
A Seplag esclarece, via assessoria de imprensa, que o decreto está em vigor e que o termo assinado é apenas para um projeto-piloto para estudar a conversão.
Segundo Martins, o setor do etanol está revoltado com a forma como a Gasmig estaria conduzindo a campanha, sob a chancela do governo de Minas. Não temos nada contra o gás natural e nem contra a Gasmig, mas a empresa está denegrindo o etanol ao compará-lo com o GNV. Eles têm que falar das qualidades deles e não ficar comparando com o álcool, reclamou.
Segundo dados da Gasmig, enquanto um carro percorre 13 km com GNV, faz 10 km com um litro de gasolina e, no caso do álcool, apenas 7 km. Hoje, o preço médio do etanol em Belo Horizonte é de R$ 2,11 e o do metro cúbico do GNV é R$ 1,55. Temos que lembrar que, enquanto a alíquota de ICMS do gás é de 18%, a nossa é de 22%, questionou Martins.
O presidente do Siamig afirma ainda que já procurou o governo do Estado para questionar a forma como a campanha da Gasmig vem sendo divulgada. O Estado tem que lembrar que todo o GNV vem do Rio de Janeiro e gera emprego e renda lá. Já a cadeia do etanol gera mais de 80 mil empregos em Minas Gerais e as 43 usinas usam matéria prima presente em 115 municípios do Estado. Sem falar que o setor investiu cerca de US$ 5 bilhões desde 2003, disse.
A Gasmig, por meio da assessoria de imprensa, diz que manterá a campanha.

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