Os professores estaduais de Minas têm até 10 de agosto para escolher como preferem receber seus salários, em regime de subsídio ou de remuneração. Os servidores que não se manifestarem serão automaticamente inseridos na primeira opção. Há pouco menos de duas semanas para o fim do prazo, especialistas alertam que a escolha deve ser feita de acordo com o perfil de cada trabalhador e que eles devem ficar atentos para não se enganarem com a falsa ilusão de aumento de salário.

A necessidade de escolha entre os regimes surgiu de uma proposta do governo, feita em janeiro, para atender à reivindicação de melhores salários da categoria. Diante das reclamações dos servidores de que o piso mineiro é mais baixo que o nacional, o Estado propôs a unificação de todas as gratificações dos funcionários da Educação, mas com o fim dos benefícios adquiridos ao longo da carreira; na prática, o subsídio. A proposta não atendeu às expectativas dos servidores públicos, que completam hoje 49 dias de greve. Mesmo assim, o Estado manteve a proposta e deu um prazo até agosto para que eles façam sua escolha.
O subsídio desvaloriza a carreira e causa prejuízos para os servidores. Quem está entrando é beneficiado porque ganha mais, mas ele também perde as gratificações que poderiam ser adquirias ao longo dos anos, argumenta a coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Beatriz Cerqueira. Segundo ela, a categoria vai continuar lutando por um aumento salarial, sempre sem a perda de benefícios.
Por outro lado, o subsecretário de Estado de Gestão de Recursos Humanos, Antônio Luiz Noronha, explicou que o subsídio tem o intuito de unificar as remuneração e eliminar distorções salariais. O subsídio valoriza os antigos servidores e incentiva os novos profissionais a escolherem a carreira de educador, afirmou o subsecretário.
Perfil
De acordo com o consultor em desenvolvimento econômico Ricardo Melo, os servidores que tiverem mais facilidade em guardar e reinvestir dinheiro devem optar pelo regime de subsídio porque eles terão um salário maior. Essa sobra de salário deve ser investida em uma conta de poupança ou em outro tipo de investimento e pode trazer lucros para os servidores no futuro, explicou o consultor.

Segundo ele, aqueles que não conseguem poupar devem escolher a remuneração para poder acumular as gratificações. É difícil guardar dinheiro, então nesse regime o servidor tem a certeza de que terá um dinheiro para receber ao longo dos anos, completou.
A economista Ana Martins concorda com o colega e ressalta ainda que os servidores devem pensar bem na opção que mais se enquadra em seu perfil. Eles devem ficar atentos para não cair em uma armadilha e achar que estão sendo beneficiados, mas acabarem perdendo dinheiro, salientou a economista.
A polêmica sobre o piso salarial

O aumento no piso salarial é a principal reivindicação dos professores, em greve há 49 dias. De acordo com o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), o piso salarial nacional é de R$ 1.597 para profissionais com escolaridade de nível médio e uma jornada de trabalho de 40 horas semanais. Em Minas, segundo informações do sindicato da categoria, os professores com escolaridade de nível médio recebem piso salarial de R$ 369 para 24 horas semanais.
Os números são contestados pela Secretaria de Estado de Educação, que defende que o piso nacional é de R$ 1.187 para professores com nível médio e jornada de 40 horas semanais. Ainda segundo a secretaria, com a criação do regime de subsídio, os professores mineiros passaram a receber R$ 1.122 para uma jornada de 24h semanais.

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