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Depois da quarta-feira de cinzas

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“Este não ano vai ser,

Igual aquele que passou,

Eu não brinquei,

Você também não brincou,

Aquela fantasia,

Que eu comprei ficou guardada,

E a sua também, ficou pendurada

Mas este ano está combinado,

Nós vamos brincar separados”.

 Salvo engano esta é a primeira estrofe da marchinha de carnaval, composta por Umberto Silva e Pedro Sette, intitulada “Até Quarta-feira”.

Fez grande sucesso e não sei por qual razão, hoje, mesmo quando me debruço em frente ao computador para tentar escrever algo para preencher o espaço que ocupo na edição semanal e destinado ao nosso editorial, minha linha de raciocínio sofre a interferência deste afloramento estranho de reminiscências em minha memória. Memória nada! Na atual conjuntura, tenho mesmo é vaga lembrança. Mas mesmo assim… Ah! Agora achei o fio da meada. Este ano não vai mesmo ser igual ao que passou, por uma questão muito simples: é ano de eleições!

Ano de realizações, tomara, de muitas obras e de repetição das velhas promessas, caso nosso prefeito resolva se recandidatar e não consiga neste 2016 que por sinal em razão das eleições é bem mais curto, cumprir as promessas que nos três primeiros de seu governo, por razões conhecidas, não as cumpriu.

Fora esta peculiaridade, também não podemos nos esquecer dos outros candidatos a prefeito que, ao que sabemos, por aqui serão muitos e que também para não perder o costume, se apresentarão formulando promessas, críticas e até elogios às demais excelências, potenciais contendoras ávidas por se encontrarem na arena cuja saída se afunila e os conduz às tais urnas eletrônicas; maquininhas infernais capazes de frustrar sonhos ou de fazer milagres. E não duvidem, pois, aqui mesmo, se pensarmos bem, não faz muito tempo elas fizeram um enorme, capaz de permitir-lhes a reivindicação de serem elevadas à categoria de “santinhas milagrosas”, ainda que na categoria dos eletrônicos.

E aí é que fico a imaginar que, metaforicamente, a fantasia que ficou guardada, quem sabe até pendurada, tudo conforme o combinado, agora surja, ainda que fora da rima e tenha o condão de reunir na mesma brincadeira até mesmo aqueles que pretendiam brincar separados.

Que nenhum de nós se assuste se depois do Carnaval, percebermos que gente de partidos tradicionalmente antagonistas, de repente se uniu numa nova frente, qualquer uma destas de nomes estranhos que surgem nos períodos pré-eleitorais.  Da mesma forma, se repentinamente tivermos notícias de que uma enxurrada de verbas por aqui aportou por ordem do governo estadual (tio Tonho) ou por interferência do chefe dele, pessoa de proa na cúpula do PT, isso se dará porque esta nossa Formiga, apesar dos pesares, compõe a relação da selecionada lista de interesse dos partidos que eles representam, em razão do número de eleitores aqui registrados. Para eles, o pleito estadual e federal vindouro é mais importante do que tudo!

Ah, ainda tem mais! Deputados federais e estaduais, mesmo os não eleitos, por suas lideranças e por tudo que representam – (em matéria de política este “tudo” tem outras dimensões nem sempre percebidas por nós outros, simples eleitores) – certamente farão com que seus interesses, se preciso for, se sobreponham aos dos próprios candidatos ou mesmo os desta cidade.

Saibam que está chegando a hora da dança dos partidos. Aproveitemos para anotar os nomes daqueles que acham que detém em suas mãos o controle de tais agremiações e comparemos com a real situação que deverá vigorar neste quesito a partir de junho.

É nesta exata hora que acredito que aquela velha fantasia que ficou por tanto tempo guardada, agora pendurada e fora do combinado, é o que fará com que muita gente repita que “vamos brincar, porém separados”.

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